Contra as restrições impostas pela administração municipal, representantes da vida noturna curitibana se reuniram em frente à Prefeitura, nesta quinta-feira (17), para pedir que a bandeira laranja deixe de ser adotada a partir da próxima semana. O decreto, que voltou a ser aplicado no dia 4 de setembro, adotou diversas medidas restritivas para várias atividades econômicas, entre elas: bares, restaurantes e o setor de entretenimento em geral.

Durante o ato, além dos gritos de ordem, os manifestantes alugaram um ônibus para dar voltas no entorno do Palácio 29 de Março, na Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico. A intenção foi o de mostrar que o transporte coletivo também oferece riscos e que o setor não pode responder sozinho aos efeitos da pandemia.

Houve ainda a realização de um “cordão humano” para mostrar que toda a categoria está unida diante da situação.

 

 

Em entrevista à Banda B, o garçom Carlos Alberto, de 59 anos, disse que passou a vida trabalhando na noite curitibana. No entanto, é a primeira vez que passa por uma situação delicada como esta, visto que está desempregado desde março. “Está difícil. Ainda bem que os filhos nos ajudam, a gente que tem família. Estou no desemprego, é complicado. Então, estamos aqui hoje porque temos que lutar”, disse.

A opinião é compartilhada pelo músico Jean Veríssimo. A categoria foi diretamente afetada com os fechamentos dos bares, restaurantes e demais casas de entretenimento em Curitiba, sendo que no dia 1º de setembro, também realizou um protesto em frente a Prefeitura. À Banda B, Veríssimo afirmou ser possível voltar as atividades tomando todas as precauções possíveis.

“Estamos parados porque, conforme as bandeiras mostram, os restaurantes podem abrir, mas não pode ter música. Nós sabemos dos cuidados e dos protocolos de segurança. Está tudo bem explicado, bem claro, que é perseguição com a vida noturna”, reclamou.

Objetivo

Para o empresário e presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Fábio Aguayo, o objetivo do ato foi fazer um diagnóstico dos seis meses de pandemia. Ele afirma que o setor foi o mais penalizado, e perseguido, desde que a pandemia começou. Ele ainda atacou à Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado ao dizer que as entidades também devem assumir a responsabilidade.

“Infelizmente, venderam uma imagem para opinião e poder público que nós eramos os culpados de tudo isto. Nós estamos vendo que não. Nós não somos culpados de nada. É mais fácil jogar a responsabilidade em quem tem CNPJ, que somos nós no caso. Só que esta consequência, gerou desemprego e falência no nosso setor, além de muita gente adoecida. Muito mais que a Covid-19, porque a sanidade mental e emocional das pessoas estão todas comprometidas. Então, isto é o mais perigoso, estas sequelas que teremos daqui para frente”, pontuou.

Apesar de reconhecer que não é possível voltar a normalidade enquanto o coronavírus continuar presente, Aguayo reforça que não é este o objetivo da manifestação. “Queremos condições para que todas as atividades econômicas, que estão no nosso setor, possam trabalhar com todos protocolos e procedimentos. E que volte a música, porque música ajuda a sanidade dos empresários e trabalhadores que estão passando desespero. Estamos tentando dar dignidade para eles com trabalho, porque o trabalho dignifica o homem”, concluiu à Banda B.

Vídeo

Confira as imagens feitas pelo repórter Marcelo Borges no protesto.

 

 

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