O Instituto Paranaense de Cegos (IPC) pede ajuda. Com dívidas que somam cerca de R$ 3 milhões, relacionadas às contas de água e luz do período entre 2001 e 2013, a Justiça bloqueou os bens e as contas bancárias da instituição, o que impede que o Instituto pague funcionários, compre mantimentos e continue a realizar atendimento a pessoas cegas ou com a visão comprometida.

Foto: Googles Street View/Reprodução

Em entrevista à Banda B, o diretor do IPC, Ênio Rodrigues da Rosa, afirma que o problema começou após uma ação na Justiça, movida pela Sanepar, que bloqueou as contas da instituição. “Essa é uma dívida grande, que foi acumulada durante doze anos. Ambas as companhias entraram na Justiça e nos estão cobrando esses valores atrasados. Uma das ações conseguiu bloquear nossos recursos”, disse.

Rodrigues também alega que o bloqueio é ilegal, já que boa parte do dinheiro arrecadado pelo IPC é oriundo de recursos públicos e destinado a promover ações sociais no município de Curitiba. “O mais grave é que, dos R$ 330 mil, praticamente todo esse recurso, cerca de 310 mil são oriundos de recursos públicos, e a lei diz que o dinheiro destinado à assistência social, educação e saúde não pode ser bloqueado nem por decisão judicial”, afirmou à reportagem.

O diretor também alega que as negociações com o órgão público não avançaram nos últimos meses. “Já tivemos umas cinco reuniões, mas o problema é que essas negociações estão totalmente fora da realidade do institituo, cujo os valores são impossíveis do IPC arcar, então as conversas acabam sem uma resolução”, contou.

Em fevereiro deste ano, o Instituto Paranaense de Cegos completou 80 anos e vive um momento difícil seis meses após comemorar o aniversário. “Nós prestamos serviços às pessoas cegas e com baixa visão. 23 pessoas moram aqui, assim como idosos com doenças relacionadas, além de 210 pessoas cegas que são atendidas pelo instituto. Somado a isso, ainda fornecemos 90 almoços por dia à população”, acrescentou o diretor.

A reportagem entrou em contato com a Sanepar sobre o assunto, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta. O espaço continua aberto.