Diante de constantes atrasos salariais, funcionários de uma empresa terceirizada dos Correios realizaram um protesto em frente à sede Curitiba da estatal. A mobilização começou por volta das 10h da manhã desta quinta-feira (19). De acordo com os manifestantes, os trabalhadores adiaram a entrada no serviço em 4 horas na unidade localizada na Rua João Negrão, no bairro Rebouças. A manifestação foi acompanhada pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Curitiba (Siemaco).

A terceirizada MG é a empresa responsável por contratar trabalhadores para o serviço de separação de cartas e encomendas, no Sedex. Além da separação, os funcionários são responsáveis por dar o destino correto destas cartas.

Em entrevista à Banda B, o diretor do Sindicato, Rafael Jerônimo, comentou que o motivo da paralisação se deve aos constantes atrasos no pagamento do vale-alimentação. Ele explicou que a Convenção Coletiva dos Trabalhadores determina o dia específico para cair o valor, mas a empresa não possui uma regularidade nas datas de pagamento. “Estamos recebendo várias reclamações sobre o assunto. Em um mês, a empresa paga em uma data, mas no outro paga em um dia diferente. As datas de pagamento estão todas bagunçadas. Além disto, as multas convencionais a estes atrasos, também não são depositadas”, afirmou.

 

Colaboração

 

Segundo o diretor do Siemaco, os problemas relacionados aos atrasos do vale, e até mesmo dos salários destes trabalhadores, já são oriundos desde 2019. “O Siemaco conversa com a empresa desde setembro do ano passado. Naquela ocasião, a gente já havia organizado uma paralisação. Mas, já no mês seguinte, a empresa acabou optando por uma forma diferente do que a convenção prevê com relação ao pagamento do vale-alimentação. A MG depositou aos trabalhadores o valor correspondente aos dias trabalhados, e não ao mês fechado”, comentou.

O diretor do sindicato explicou que, naquele momento, a questão foi resolvida após uma mediação com o Ministério de Trabalho e Emprego (atual Ministério da Economia).

“Lá nós conseguimos que a empresa regularizasse a situação, pagando o valor cheio do mês fechado aos trabalhadores, conforme prevê a convenção”, pontuou.

 

Colaboração

 

Em 2020, foi renovado o contrato de prestação de serviços entre a empresa e a estatal. Com isto, o número de funcionários terceirizados passou de 300 para 800 em todo o Paraná. No entanto, os problemas continuam.

Após a manifestação, foi agendada uma nova reunião para tentar resolver todas as divergências em questão. Jerônimo explicou qual será o objetivo desta nova conversa. “A ideia é resolver todas pendências que a empresa tem com os trabalhadores. Vamos pedir para que a MG cumpra com o prazo que a convenção prevê, ou seja, pagando suas atribuições no dia que a convenção determina”, disse.

 

Colaboração

 

Por fim, o diretor do Siemaco ressalta qual é a importância do vale-alimentação para os trabalhadores. Ele afirma que o dinheiro é fundamental para que as pessoas consigam fazer a compra do mês. “A gente sabe muito bem que o vale é um agregado do salário. O trabalhador usa este dinheiro para fazer o ‘rancho do mês’. Com isto, é possível trazer as ‘marmitinhas’ para se alimentar no setor. Com a empresa não cumprindo com as suas obrigações, quem sofre e paga a conta é o trabalhador”, finalizou.

A EMPRESA

A Banda B realizou diversos contatos com a MG e até o fechamento desta matéria, nenhum destes chamados foi respondido.

OS CORREIOS

Em nota à Banda B, os Correios informaram que houve falha no processamento do pagamento do Vale Alimentação em cartão para empregados terceirizados da área de tratamento de objetos postais em Curitiba. A empresa responsável pelo contrato já foi acionada e o devido pagamento será realizado imediatamente em dinheiro.