Filho, não esquece do casaco. Filho, já estudou hoje? E daí, vc não é todo mundo. Onde ela está que não me atende? Avisado você foi! Frases e mais frases marcantes que certamente você já ouviu da mãe e que talvez, neste momento de pandemia do coronavírus, até disso sente saudades. Não vai ser fácil deixar aquela abraço de lado, porque não há no mundo amor maior do que o que sentimos por elas. Vamos lembrar para sempre como um Dia das Mães diferente em 2020, onde a distância vai doer um pouquinho, mas vai ser lembrada como uma prova desse sentimento tão nobre.

Eleonara e Nizza: “O beijo que a filha queria dar nesse Dia das Mães”

Que tal a gente conhecer histórias de quem vai viver um Dia das Mães diferente? A professora de Direito e assessora jurídica na Defensoria Pública do Paraná, Eleonora Laurindo de Souza Netto, de 29 anos, estará com a mãe, Nizza Laurindo de Souza Netto, de 60, a quilômetros de distância, isolada em Florianópolis, devido ao coronavírus. “Vai ser bem difícil, porque sou muito próxima da minhã mãe e estamos longe neste momento. Já perdi o aniversário dos meus pais há algumas semanas e agora vou passar o Dia das Mães distante. Mas ainda bem que temos a tecnologia para nos aproximar. O negócio é esperar tudo passar para quando a gente de novo puder se abraçar”, disse à Banda B.

Eleonora tem ensinado a mãe a usar as tecnologias para se aproximar dela, o que faz com que seja possível um contato diário, mas aquele abraço faz falta. Uma reflexão para a filha neste momento é passar a dar valor a momentos simples da vida. “Na correria do dia a dia a gente não dá o verdadeiro valor para os pequenos atos. Neste momento, você consegue perceber como isso faz falta e dá um aperto no coração, fica uma vontade grande de poder dar um beijo ou abraço”, falou.

Porque a Dona Nizza, para Eleonora, representa o mundo. “Ela é tudo para mim. Uma das maiores inspirações que tenho na vida. A admiro como profissional, esposa e sobretudo como mulher. Temos uma conexão muito boa. Eu sinto muito por não estar perto dela neste momento, mas tudo vai voltar ao normal”, terminou a filha.

Bea e Patrícia passarão Dia das Mães à distância

Distantes não, protegidas sim

Agora nós viajamos para a cidade de Rio Negro, região metropolitana de Curitiba, onde vive Patricia Starepravo, de 34 anos. A mãe, Bea Starepravo, de 57, mora em Curitiba, mas a distância nunca foi empecilho, já que elas tinham contato praticamente semanal. Agora, com o coronavírus, tudo mudou. “Dá saudades sim, mas hoje penso que não estamos distantes, mas sim protegidas. Esse é o momento de pensarmos como coletivo. Claro que é difícil, mas logo vamos estar juntas de novo”, disse Patrícia.

Muito ligada à mãe, ela comentou que sente muita saudade do ânimo que Bea dá em um tempo em que vivemos tantas preocupações. “Minha mãe é uma pessoa extremamente alto astral e ela faz muita falta no meu dia a dia. Esta data ainda vai ser bem especial neste ano, porque será o primeiro Dia das Mães em que me tornei uma”, contou a mãe da pequena Laura.

Quarenta nos uniu

Ao mesmo tempo que muitos filhos estão mais distantes fisicamente das mães, temos aqueles que vivem sob o mesmo teto, mas que antes da quarentena não tinham a possibilidade de se ‘esbarrarem’ tanto. O psicólogo Paulo Munhoz da Rocha, de 29 anos, está em trabalho remoto e passou a conviver muito mais com a mãe, Raquel Munhoz da Rocha, de 52. “A quarentena acabou nos unindo muito, especialmente nas tarefas domésticas que estou dividindo com ela. Apesar de não ser tão legal a quarentena, posso tirar como positivo essa proximidade com minha mãe. Antes cada um ia para um lado, chegava cansado e ás vezes nem se falava”, disse.

Paulo e Raquel mais próximos na quarentena

Paulo comentou que a mãe representa para ele segurança. “Eu me sinto amado por ela. Então é um porto seguro mesmo e, nestes tempos difíceis, isso é muito importante, de poder contar com este porto seguro. Então nossa relação tem sido fundamental”, concluiu.

Dona Gertrudes

Não podíamos deixar a reportagem sem a presença especial de uma mãe, representando todas as outras. Gertrudes Zendron tem 81 anos, quatro filhos vivos e um falecido. “Neste período de pandemia está difícil o contato com a nossa família. Meus netos e filhas estão com receio de me vistar. A gente vai se cuidando e que todas a mães tenham a alegria de aceitar esse distanciamento que estamos passando. A gente vai vivendo o dia a dia com a certeza de que Deus vai nos livrar deste vírus e que todos possam se abraçar no futuro”, afirmou.

Gertrudes perdeu um filho por infarto aos 49 anos e aproveitou para dar força a todos as mães que perderam os seus durante a pandemia. “Perdi meu filho muito amado, mas Deus nos dá força para superar tudo e um dia a gente vai se encontrar no céu. Tenham força e fé que vai dar tudo certo”, disse.

Dona Gertrudes (à esquerda) e a família

O que é ser mãe para Dona Gertrudes. “Ser mãe é abraçar o dom que Deus nos dá. Toda mãe, quando coloca um filho no mundo, tem o desejo de que ele cresça em sabedoria e discernimento, para se tornar uma grandes pessoa. É um privilégio de contribuir com a criação de Deus. Esse é o meu ponto de vista”, concluiu.

Nada é mais forte e verdadeiro do que o amor de uma mãe.

Para ouvir a reportagem especial para a Rádio Banda B, com a produção de Rafael Torquato, clique no player abaixo: