A defesa do empresário Danir Garbossa, que é o cliente envolvido na confusão que matou a fiscal de loja Sandra Maria Aparecida Ribeiro, disse que é “um exagero” o entendimento de legítima defesa para o segurança que realizou os disparos dentro do Hipermercado Condor de Araucária, na região metropolitana de Curitiba. De acordo com o advogado Ygor Nasser Salmen, Garbossa vai responder pelo que efetivamente praticou. Segundo a Guarda Municipal, a confusão no local teria começado após o empresário se recusar a colocar máscara para entrar no estabelecimento.

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Em entrevista à Banda B, Salmen afirmou que que Garbossa não pode ser responsabilizado por circunstâncias alheias ao que causou. “O eventual disparo de arma de fogo e o homicídio não foi ele quem causou e as verdadeiras pessoas precisam ser responsabilizadas. É um exagero falar que o que aconteceu foi legítima defesa, uma vez que o que há nesse caso é um despreparo gritante de alguém que não sabe portar uma arma de fogo”, afirmou.

Para Salmen, a legítima defesa só poderia ser configurada se houvesse um mesmo meio ou uma injusta agressão. “O que temos nesse caso é um homem nervoso, irritado, mas você não para alguém assim com uma arma de fogo. Se meu cliente estivesse com uma arma de fogo, até poderíamos aceitar, mas é inaceitável um disparo dentro de um estabelecimento comercial fechado e cheio de gente. O vigilante assumiu o risco e precisa ser responsabilizado”, concluiu.

Na polícia

Sandra morreu aos 45 anos

De acordo com a Delegacia de Araucária, o vigilante Willian Soares, 20 anos, foi autuado por homicídio culposo – sem intenção de matar. Ele foi detido em flagrante após a confusão que culminou na morte Sandra, na tarde desta segunda-feira (28) e segue preso.

O delegado Tiago Wladyka disse que o vigilante também foi autuado por disparo de arma de fogo. “Ele será autuado por homicídio culposo, por excesso de legítima defesa. Ainda vamos ouvir, temos as imagens, queremos documentos da empresa de segurança para chegar em um denominador no fim do inquérito”, disse ele.

O caso

A confusão no Hipermercado Condor começou após Danir Garbossa se recusar a colocar máscara para entrar no estabelecimento, como determina decreto da Prefeitura de Araucária para controle da pandemia de coronavírus.

Câmeras de segurança mostra o momento em que Garbossa agride Willian, que reage com dois disparos de arma de fogo.

Sandra Maria Aparecida Ribeiro foi atingida por um dos tiros no peito e morreu no local.