A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná informam, nesta quarta-feira (11/03), o primeiro caso provável do novo coronavírus na capital do estado. Trata-se de um caso importado, de um homem de 54 anos, atendido em um hospital da rede privada. Ele passa bem, está em isolamento domiciliar voluntário e sendo acompanhado.

Foto: Divulgação AEN

O paciente retornou no dia 7 de março de uma viagem pela Espanha, Portugal e Holanda. Ele apresentou sintomas leves, com dor de garganta e febre, no último final de semana. Após o início dos sintomas, buscou um serviço de saúde privado, quando foi avaliado e recebeu recomendação de repouso e isolamento domiciliar.

A amostra do exame do paciente foi enviada para um laboratório particular e o resultado se mostrou positivo para o coronavírus. Uma contra-prova do exame foi encaminhada, nesta quarta-feira, para o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR), para validação do resultado.

Apenas com a confirmação desta contra-prova pelo laboratório de referência (Lacen/Fiocruz) é que o caso passa a ser considerado confirmado oficialmente pelo Ministério da Saúde.

A filha de 25 anos do paciente viajou junto com o pai. Ela apresentou sintomas respiratórios leves e febre, ainda durante a viagem, mas melhorou e passa bem desde antes de chegar ao Brasil. A mulher também está em isolamento domiciliar voluntário. É possível que ela tenha apresentado a infecção durante a viagem. Por isso, as amostras do exame dela também foram enviadas ao Lacen para análise. A equipe de Epidemiologia da SMS segue monitorando ativamente outros possíveis contatos, por precaução.

“O exame do pai deu positivo. O primeiro exame da filha deu negativo, porém foi repetido e o novo resultado foi positivo, por isso consideramos que o exame dela foi inconclusivo”, explica a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak.

“Já investigamos toda a rede de contato dos dois e queremos tranquilizar a população, pois já sabíamos que uma hora o coronavírus chegaria e estamos preparados para isso”, continuou a secretária.

Cuidado com o desserviço

A SMS e a Sesa orientam que qualquer informação divulgada de forma apressada, atropelando o fluxo oficial, seja por parte de hospitais ou laboratórios, representa um desserviço à população, gerando instabilidade social e à saúde pública.

Até esta terça-feira, de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil contava com 34 casos confirmados do novo coronavírus: Alagoas (1), Bahia (2), Minas Gerais (1), Espírito Santo (1), Rio de Janeiro (8), São Paulo (19), Rio Grande do Sul (1) e Distrito Federal (1).

Cidade preparada

De acordo com a secretária, o município se preparou para a chegada do novo coronavírus. No site da SMS, há um rol de documentos técnicos e orientativos para os profissionais de saúde, população, empresas e escolas e demais espaços públicos.

Huçulak orienta que em casos em que existem apenas sintomas leves e não houve viagem ao exterior, não há necessidade de procurar o serviço de saúde. “Observamos um aumento da demanda nos hospitais privados e da rede pública, por isso se você tem condições leves e não viajou, não procure o serviço de saúde. Nesse momento precisamos ter nossas equipes com atenção para aqueles casos que realmente precisam de um suporte maior, então na dúvida ligue para 0 192 pedindo por orientações”, afirmou ela.

Ainda em janeiro, a SMS convocou Comitê Municipal de Resposta às Emergências em Saúde Pública para apresentar o plano de trabalho de Curitiba para a prevenção, controle e condução nos possíveis casos suspeitos do novo coronavírus.

Participaram da discussão representantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa), Defesa Civil, Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa), da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas), da Sociedade Paranaense de Pediatria, da Maternidade Mater Dei, do Hospital Cruz Vermelha, Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), das Secretarias Municipais da Educação e do Meio Ambiente, da Associação Paranaense de Medicina do Trabalho (Apamt), da Unimed-PR, do Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR), do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba (CMS), da Fundação de Ação Social, Sindicato das Escolas Particulares (Sinep/PR), da Santa Casa de Misericórdia, do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, do Hospital de Clínicas, do Hospital Pequeno Príncipe e profissionais de setores diversos da SMS.

Além do Comitê, foram realizados treinamentos e capacitações com mais de 1 mil profissionais de saúde da rede pública e privada. Eles receberam informações sobre a nova doença, fluxos de atendimento, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), entre outros.

Reforço na estrutura

Para esta quarta-feira (11/03), com o anúncio do provável primeiro caso no município, a SMS vai lançar mão ainda de uma nova medida. A criação de um Centro de Operações de Emergência (COE), com a participação das secretarias municipais de Meio Ambiente, Educação, Defesa Civil e Trânsito, Urbanismo, Comunicação Social, Turismo, FAS, Urbs, Esporte e Lazer, Procuradoria Geral do Município e Secretaria de Governo Municipal.

A primeira reunião acontece nesta quarta-feira (11/3), às 17h.

Casos suspeitos

Além do provável caso de coronavírus, Curitiba investiga outros 25 casos suspeitos da doença em pessoas residentes no município. Todos apresentaram sintomas leves de infecções respiratórias – febre, tosse, coriza, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeça.

Após avaliação médica, coleta de amostras para exames e tratamento dos sintomas, os pacientes foram orientados a permanecer em isolamento domiciliar voluntário enquanto aguardam o resultado dos exames.

A médica infectologista da SMS, Marion Burger, explica que o internamento só é indicado para casos com complicações, como por exemplo, infecção pulmonar. Mas ela alerta que é essencial manter o isolamento domiciliar, quando indicado.

“Enquanto aguardam o resultado é importante que as pessoas sigam as orientações. Mesmo que a infecção não seja pelo novo coronavírus, a medida evita a contaminação de outras pessoas e auxilia no processo de recuperação”, orienta Marion.

Os pacientes, que são classificados como casos suspeitos, são monitorados diariamente por telefone para acompanhamento da evolução do quadro de saúde.

O que fazer em caso de suspeita

O diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira, orienta que as pessoas que retornam de viagem em regiões em que já há confirmação de transmissão local da doença fiquem alerta ao aparecimento de sintomas respiratórios nos próximos 14 dias após o retorno. Se houver febre associada a outro sintoma respiratório, a orientação é procurar um serviço de saúde público ou privado.

“Em caso de suspeita, o paciente deve procurar a sua unidade de saúde ou uma UPA, na rede municipal de saúde; ou um pronto atendimento, na rede particular. Os profissionais e serviços de Curitiba estão atualizados e preparados para esse atendimento”, orienta.

Segundo Oliveira, o fato de os sintomas da infecção pelo novo coronavírus parecem como os de uma gripe ou resfriado dificulta o diagnóstico, por isso, é importante informar o histórico de viagem já no início do atendimento.

Definição de caso suspeito

A infecção respiratória é causada por um novo vírus, portanto o comportamento e evolução dos casos está sob constante monitoramento das autoridades nacionais e internacionais de saúde.

Desde a última sexta-feira (6/3) o Ministério da Saúde ampliou as regiões de viagem para considerar casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus. A partir da data todas a pessoas que chegarem ao Brasil vindas de países da América do Norte, Europa e Ásia e apresentarem sintomas de infecções respiratórias como febre, coriza, tosse, falta de ar, dor de garganta, nos próximos 14 dias após o retorno da viagem devem ser considerados como casos suspeitos.

O que fazer para se proteger?

Lavar as mãos com água e sabonete líquido com frequência, ou utilizar álcool 70%, principalmente antes de consumir algum alimento, ou tocar na boca, nariz ou olhos.
Utilizar lenço descartável para higiene nasal.
Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir.
Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar.
Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas.
Manter ambientes bem ventilados, evitar contato próximo com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença.
Pessoas com sintomas de infecção respiratória aguda devem praticar etiqueta respiratória (cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, preferencialmente com lenços descartáveis e após higienizar as mãos)