Curitiba e outras sete capitais brasileiras estão entre as regiões que apresentam estar longe de atingir o pico de mortes por Covid-19, segundo análise de um sistema de projeções criado por pesquisadores de três instituições federais, incluindo a Universidade Federal do Paraná, o ModInterv. Em entrevista à Banda B, Giovani Vasconcelos, um dos desenvolvedores da plataforma, aponta o cenário atual da pandemia no Paraná.

Foto: André Rodrigues/FramePhoto/Folhapress

A Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (ModInterv) faz parte de um projeto colaborativo entre as universidades federais do Paraná (UFPR), Pernambuco (UFPE) e Sergipe (UFS). O projeto desenvolveu um sistema capaz de oferecer dados sobre a curva de contágio, além de disponibilizar informações sobre a curva de mortalidade por meio de um modelo matemático e fazer projeções para diferentes localidades do mundo.

Paraná

No dia em que a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná divulgou – nesta segunda-feira (27) – que o estado totalizou 67.276 casos confirmados da doença e 1.682 mortes, a plataforma indica, de forma precisa, que a taxa de mortalidade vem crescendo desde que o primeiro óbito foi registrado.

Foto: Reprodução/ModInterv

Para o professor Giovani Vasconcelos, do Departamento de Física da UFPR, os dados são preocupantes e a curva em ascensão pode ser resultado de um relaxamento por parte da população e autoridades governamentais em relação às medidas de combate ao coronavírus: “No caso do Paraná, e também Curitiba, é importante que haja um reflexão quando o assunto é o aceleramento da taxa de mortalidade. No início da pandemia, o estado aparentava ter um certo controle do vírus, mas a partir de junho começamos a acelerar ainda mais a curva de óbitos, e ela continua em ascendência. Essa constatação pode ser resultado de um relaxamento quanto às medidas de precauções como o distanciamento e isolamento social”, explicou.

Curitiba

Já no caso da capital paranaense, nos primeiros 60 dias da pandemia, a curva de mortalidade seguia em crescimento de forma linear, isto é, relativamente lento. Porém, no gráfico abaixo é possível observar que a ascensão passou a ser exponencial. Curitiba, hoje, totaliza 480 mortes pela doença e 17.328 casos.

Foto: Reprodução/ModInterv

Giovani ressalta, ainda, que as medidas de combate ao coronavírus são de extrema importância quando o assunto é desacelerar essa taxa. Para isso, é necessário que a população continue adotando todos os cuidados. “É possível que o Paraná, e também Curitiba, esteja entrando nessa fase intermediária, saindo – talvez – do crescimento exponencial para entrar na fase linear e depois mudar a trajetória de crescimento. Mas isso dependerá das medidas e precauções que a população deve tomar”.

A busca, agora, é pelo platô ou fase de saturação, que é quando a curva tende a desacelerar e evidencia que as medidas de prevenção têm funcionado para manter o número de mortes controlado. Isso acontece quando a curva retorna ao movimento linear e, em seguida, desacelera ao chegar no ponto de inflexão e procura o platô final.

ModInterv

Vasconcelos deixa claro que a plataforma é uma grande iniciativa em termos de acesso à informação. Por ele, é possível selecionar uma localidade específica para analisar, de forma clara e objetiva, a taxa de contágio e óbitos por coronavírus. “Lá, o usuário tem uma ideia de como está a tendência de crescimento, que pode até lhe instruir sobre os cuidados que ele próprio pode ter em relação a essa evolução, saber quão controlada está a pandemia, etc”, disse.

O professor ainda adiantou, com exclusivo à Banda B, que em poucos dias a plataforma estará disponível em forma de aplicativo para o sistema operacional Android. Os dados poderão ser acessados em poucos minutos e com bastante facilidade na palma das mãos. “A informação concreta, cuidadosa e rigorosa é uma das maiores armas para conseguirmos combater o coronavírus e tentar freá-lo o quanto antes”, concluiu.

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