O Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes) criticou, na tarde desta quarta-feira (6), o plano para a retomada das aulas nas universidades e faculdades anunciado pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe). Para a entidade trabalhista, o anúncio é a “crônica de uma tragédia anunciada”.

Foto: Reprodução EBC

O presidente do Sinpes, Valdyr Perrini, afirmou em entrevista à Banda B que esse plano não possui nenhum embasamento. “Nós achamos que isso é homicídio qualificado, porque vai na contramão da orientação dos técnicos e dos cientistas. Existe um estudo da Universidade de Singapura que mostra que o mês de maio é decisivo para a proliferação da pandemia no Brasil e no ensino superior não há a menor razão para isso, já que o funcionamento está ocorrendo à distância, com exceção de algumas poucas atividades práticas, que podem perfeitamente ser feitas no segundo semestre”, disse.

Segundo o Sinepe, a demanda pela reabertura das escolas tem sido muito grande, principalmente por pais que voltaram a trabalhar no comércio ou estão em serviços essenciais e não têm onde deixar os filhos. O sindicato das empresas representa não só o ensino superior, como também os ensinos fundamental e médio.

Perrini lembra que Wuhan, epicentro do coronavírus no mundo, só começou a retomar as atividades após cinco meses e, mesmo assim, com várias medidas novas de controle contra a propagação da doença. “São cautelas extremas, com peças de acrílico entre as carteiras e equipamentos de proteção individual aos professores, mas nada disso os empregadores estão dispostos a fazer. É uma grande besteira esse plano e vai fazer com que a pandemia piore. A gente percebe que é a crônica de um desastre anunciado, já que existem outras alternativas, como adiantar o recesso de junho”, explica.

O Sinpes entende ainda que a retomada das aulas seria um “tiro no pé” das empresas, já que afastaria alunos neste atual momento de pandemia.

Plano

Segundo o Sinepe, a retomada gradativa e segura das aulas em escolas particulares só ocorrerá se houver a aprovação dos órgãos oficiais, de forma paralela à reabertura econômica no estado, com todas as medidas de prevenção recomendadas para o combate à pandemia da Covid-19.

O plano envolve uma retomada gradual, sempre mantendo o distanciamento social e as medidas de assepsia nas instituições. O Sinepe assegura que as escolas particulares estão estruturadas e preparadas para cumprir esse protocolo de saúde.

O sindicato acredita na viabilidade desta ação, também, uma vez que a estrutura da saúde pública dos inúmeros municípios do Paraná encontra-se em um patamar que possibilita essa transição gradual.