As misteriosas abelhas sem ferrão têm tido um aumento de produção em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, especialmente para a polinização de alimentos. Este inseto é o mais importante do mundo e é, neste sentido, que agricultores orgânicos da cidade metropolitana tem investido nele.

(Foto: Colaboração)

 

Ainda busca-se regulamentar e entender o mel das abelhas sem ferrão e isso vem sendo debatido, inclusive com o trabalho da APROMEL – (Associação dos Produtores Orgânicos e dos Meliponicultores de São José dos Pinhais), como destaca Helison Herz Girardello, o Jatobá, produtor e presidente da Apromel.

“A associação foi fundada em 2013, inicialmente apenas com produtos de orgânico, mas há três anos juntamos com os meliponicultores. Nos reunimos mensalmente e, por entender que abelha e alimentação orgânica estão relacionadas, fazemos estes debates. Hoje temos 80 associados e mais de 700 colmeias de nossos associados”, descreveu.

Algumas das espécies de abelhas sem ferrão

 

O Brasil é o berço das abelhas sem ferrão no mundo. Antes, apenas elas existiam aqui. As abelhas europeias com ferrão vieram no século 19, por uma demanda de cera da Igreja Católica, enquanto as africanas no 20. São abelhas mais pedradoras e com uma produção muito maior de mel, diferente das abelhas sem ferrão. “As sem ferrão existem em maior quantidade na América do Sul e Ásia, apenas nesta faixa do planeta. São aproximadamente 600 espécies e destas 350 são brasileiras, mas há estudos que apontam para um número maior. O Brasil tem a maior biodiversidade abelhas sem ferrão do mundo”, contou Jatobá.

É importante destacar que, embora um mel que ainda precisa de regulamentação, e isso está em andamento, ele já tem apresentado alguns resultados surpreendentes. “Por exemplo, o mel da abelha Jataí tem uma proteína que foi isolado pela indústria farmacêutica. Este mel é usado no colírio para catarata por exemplo. Os índios pingavam sempre este mel nos olhos. Além disso, ele também é importante para o intestino e pulmão”, destacou.

Produtores de mel de São José dos Pinhais (Foto: Colaboração)

 

Por fim, Jatobá comenta a extinção das abelhas e o risco que isso tem para a humanidade. “Estamos sofrendo a extinção das abelhas, principalmente pelos agrotóxicos e poluição eletromagnética. Hoje, se vê oceanos de sojas e milhos transgênicos. Pense você comer só isso o ano inteiro. A abelha só encontra pólen destes alimentos para comer”, concluiu.

Para saber mais sobre o trabalho da Apromel, o telefone de contato é o 99109-2732