Luiz Carlos Ferreira de Paula e Adalberto Graezer de Paula, de 59 e 30 anos, moravam em uma casa alugada no bairro Cachoeira, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Em apenas um dia, eles foram assaltados e despejados. Se não bastasse isso, ambos estão desempregados e, há cinco meses, vivem em situação de rua, em uma praça localizada no bairro Barreirinha, em Curitiba.

Após um contato de um ouvinte com a Rádio Banda B, o repórter Marcelo Borges esteve na tarde desta quarta-feira (20) na esquina da Avenida Anita Garibaldi com a Rua Professor Guilherme Butler. O endereço é o local da “nova casa” da família.

 

O roubo

Os dois contam que a casa era alugada. Na época, devido as condições financeiras da família, as parcelas estavam atrasadas. Adalberto explicou que a vida mudou em um dia. Ele havia saído de casa para trabalhar, no mesmo bairro em que vive hoje, o Barreirinha. Quando voltou para casa, percebeu que havia perdido tudo. “Quando cheguei em casa, a porta estava aberta. Os vidros das janelas estavam quebrados”, comentou.

O desespero só aumentou, quando ouviu a notícia de que estava sendo despejado do imóvel. O detalhe é que isto foi no mesmo dia do roubo. “Tive que vir embora com meu pai e o cachorro, de madrugada. Era por volta da 01h30, 02h da manhã, quando nós viemos caminhando pela rua, até achar um local para dormir”, explicou.

A praça e o novo lar

Eles vieram parar na praça que está na esquina das ruas do bairro. Adalberto, trabalhava na região e conhecia o local. Portanto, acreditou que ali poderia ser a moradia temporária. “Eu já morei no Barreirinha. Conheço a região e as pessoas daqui”, avisou.

Ao passar pelo local, é possível ver o sofá, uma lona com dois pedaços de madeira para apoio a cobertura e o cachorro, Billy, de três anos. Adalberto faz questão de lembrar do amigo, presente nas horas mais difíceis. “Jamais irei me desfazer do meu cachorro. É o ouro mais precioso que tenho na vida e no meu coração. É um cachorro muito amoroso”, explicou.

Trabalho

Adalberto está desempregado. Até pouco tempo, ele trabalhava com a revenda de frutas. No entanto, com o avanço do novo coronavírus, ele perdeu o emprego. “Eu vendia tranquilamente. Depois da pandemia, parou tudo. O rapaz que trazia do CEASA parou de fazer o transporte. Assim, eu parei de vender”, explicou.

Seu pai, Luiz, está com a aposentadoria em análise na justiça. Ele trabalhou, por muitos anos, como polidor em um tradicional restaurante de Curitiba. Porém, devido aos problemas de saúde, Luiz teve que sair do emprego. Desde então, continua sem encontrar trabalho. “A aposentadoria está para sair. Seria a nossa fonte de renda. Enquanto isto não acontece, nós temos que ficar aqui e aguardar”, comentou.

Eles sobrevivem da ajuda de outras pessoas. Sob as arvores, eles permanecem na praça. Vizinhos, da rua, fizeram a doação de dois colchões. Uma moça, que se mudou recentemente do bairro, doou um pacote de ração para o cachorro da família. Em um isopor é armazenado todos os alimentos utilizados para consumo. “As vezes eu peço para o rapaz da lanchonete guardar na geladeira dele. Porque tem produtos que não entram na caixa”, explicou.

 

 

Luta

Adalberto explicou que a situação é difícil. A necessidade de ter que buscar um emprego, uma casa para morar, e ainda, cuidar do pai que possuí pressão alta e diabetes. Ele contou como o pai lida com a situação. “Meu pai tenta se entregar. E eu mostro que não é bem assim. Recentemente, ele ficou todo paralisado e eu me desesperei. Comecei a chorar. Não sabia o que fazer. Pedia ajuda a Deus, aos vizinhos. Estou num beco sem saída”, detalhou.

O jovem também revelou que a luta, além da sobrevivência, é pela busca de energia para continuar vivendo esta dura realidade, diariamente. No entanto, embora saiba que a situação é difícil, Adalberto mantém a humildade e agradece a todos que ajudam neste momento.

“As pessoas nos ajudam com dinheiro, com alimento e roupas. Mas, a gente precisa de uma casa para morar. Com meu pai e o meu cachorro. A gente está num desespero total. Não tem para onde correr mais. Precisamos de muita ajuda”, disse.

Corrente do Bem

Perguntado se esperava passar por isto tão jovem, Adalberto foi sincero. “Nunca passei por isto. É a minha primeira vez. Estou assustado. Estou sem saída. Não tenho para onde correr. Estou em uma situação lamentável”, comentou.

Eles precisam de uma casa para morar. “Urgentemente. Ficar no meio do mato, não dá. É uma tristeza. Nunca passei por isto. E, sinceramente, não quero que ninguém passe por isto na vida”, comentou.

Adalberto disse que está disposto a aceitar qualquer residência e trabalho que aparecer. “Tenho 30 anos, posso trabalhar com muitas coisas. Se vier de bom coração, irei aceitar com muito prazer e disposição”, afirmou.

No Jornal da Banda – 2ª edição, há a tradicional “Corrente do Bem”. Este é o momento que as pessoas se unem para ajudar uns aos outros. O caso do Adalberto e sua família é claro. Se você simpatizou com esta história, nós o convidamos, pelo Portal, para abraçar a causa e ajudar, mais uma vez, uma família que passa por muitos momentos de dificuldade.

Entre em contato com Adalberto e Luiz pelo número (41) 99133-0711.