Por conta da implantação de um binário que impôs sentido único na Rua Amazonas e na Avenida dos Estados, no bairro Água Verde, em Curitiba, comerciantes procuraram a Banda B para reclamar das mudanças e explicar o porquê delas não agradaram. A novidade foi implantada no dia 23 deste mês.

De acordo com a superintendente de trânsito, Rosangela Battistella, o binário melhora a circulação viária e diminui o tempo de deslocamento em pontos que, mesmo fora do horário de pico, têm grande movimento. Dados da Superintendência de Trânsito (Setran) apontam que chega a 1,5 mil o total de veículos em horários de pico na Avenida dos Estados e outros 500 na Rua Amazonas nos períodos de maior movimento.

Além do novo binário, outras alterações foram feitas e comerciantes que conversaram com a Banda B se mostraram indignados com as mudanças alegando que elas não ajudaram em nada. Rossana, comerciante já há 13 anos na Av. dos Estados, explicou que lhes foi tirado um estacionamento e no lugar foi implantada uma ciclovia. Agora, há também um novo estacionamento, porém é necessário fazer o uso do EstaR.

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“Foi dito que passam 1.5 mil veículos por hora aqui, mas não é verdade, isso é muito. A obra não condiz com a nossa realidade. Tiraram o estacionamento de um lado, fizeram uma ciclovia e colocaram um estacionamento com EstaR. Mas quem vai descer do carro, pagar três reais para estacionar e vir comprar linhas de costuras por dois reais? Não vale a pena. Ela vai comprar em outro lugar”, disse a comerciante indignada.

Rossana também explicou que muitos clientes chegavam até o seu comércio de ônibus e que agora não sabe explicar onde eles devem descer ou como voltar para casa, já que uma das paradas foi retirada, justamente por que a via agora é de mão única.

Prefeitura

Segundo a prefeitura de Curitiba, a questão foi debatida com a comunidade local por meio do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg). Porém, Rossana e outra comerciante afirmaram à Banda B que não houve essa discussão: “Na minha quadra, onde tenho estabelecimento, ninguém foi informado”, disse Rossana.

Já a comerciante Bruna Tobias, que tem comércio no local há pouco mais de dois anos, disse que a Conseg não consultou nenhum comerciante da região. “Simplesmente fizeram as mudanças, tiraram nosso estacionamento e colocaram uma ciclovia. Por que não a colocaram na calçada?”, indagou.

Tobias também destacou o descontentamento com o novo estacionamento. Para ela, ninguém irá pagar EstaR para comprar nos pequenos comércios da região e disse que com as novas mudanças o movimento do local caiu bastante: “A pessoa não vai parar aqui, ela vai para outro lugar. Se queriam colocar EstaR, por que não colocaram onde não há comércios? Nosso movimento caiu em 75% aqui”, concluiu.