Há quase duas semanas do início das festas de fim de ano, e com Curitiba ultrapassando os 14 mil casos ativos de Covid-19, as celebrações que estão por vir têm preocupado as autoridades sanitárias e ligado um alerta sobre um possível colapso nos hospitais. Restrições cada vez mais rígidas vêm sendo adotadas, mas é preciso que a população se conscientize, conforme explicou a infectologista Viviane Hessel à Banda B.

Para Hessel, que também é coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Marcelino Champagnat, o ideal é não fazer confraternizações com pessoas que não sejam do mesmo circulo familiar. No entanto, a médica destaca algumas medidas a serem tomadas para que se evite o contágio pela doença.

“Estamos em uma época em que todos gostam de confraternizar no trabalho e comemorar. Isso deve ser evitado. Precisamos arranjar, de forma criativa, novas formas de celebrar para que não seja necessária a ida a ambientes fechados e haja aglomerações”, disse.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo a médica, medidas como se reunir ao ar livre, permanecer o tempo todo com máscara e exercer o distanciamento de pelo menos 1,5 m já fazem uma grande diferença. “Cada núcleo familiar pode se alimentar entre si e em mesas separadas, por exemplo. A máscara só deve ser tirada no momento da alimentação. Isso exige muita disciplina”, alertou.

Viviane destacou que a Covid-19 é transmitida de forma respiratória e depende da proximidade entre as pessoas, e que ocorre principalmente quando não se faz o uso da máscara. “O comportamento das pessoas tem bastante efeito no aumento da taxa de transmissão. Houve relaxamento em relação às medidas de prevenção”, afirmou.

Além disso, a especialista ressalta a importância de se evitar o cumprimento com contato físico, como beijos e abraços. “Se for contar com a presença do Papai Noel, ele precisa estar o tempo todo com máscara e higienizando as mãos com o álcool”, disse.

Sintomas

Conforme explicou Hessel, as pessoas devem estar atentas aos sintomas da Covid-19 para que evitem transmitir a doença. “Ela começa com sintomas leves, como dor de garganta e tosse seca. Existe a possibilidade de haver febre, mas nem sempre acontece. Pode apresentar dor de cabeça e no corpo, mal estar e até mesmo diarreia”.

Caso algum desses sintomas apareça, é imprescindível ficar em casa e não ter contato com outras pessoas, já que, de acordo com a infectologista, o vírus pode ser transmitido dois dias antes da aparição dos sinais até entre o sexto e décimo dia depois do início dos sintomas.

Curitiba

A capital paranaense confirmou nesta quinta-feira (10) 1.492 novos casos de Covid e chegou a 92.530 infecções já registradas. O número de mortes, com o acréscimo de 21 óbitos, é de 1.903. O número de casos ativos é de 13.983.

A ocupação de leitos de UTI SUS exclusivo para o novo coronavírus está em 93%; há 26 leitos livres no momento.

Para a infectologista Viviane Hessel, Curitiba não vive uma segunda onda da doença, mas um segundo pico. “Em nenhum momento chegamos a ficar com quase nenhum caso para dizer que veio uma segunda onda”, afirmou.