Ele nasceu no Rio Grande do Sul, mas tem alma de paranaense. Estamos falando do Professor Aroldo Murá Gomes Haygert. A qualificação de mestre é dada por todas que convivem com ele tamanha sabedoria. Nesta quarta-feira, dia 29 de julho, o professor Murá completa 80 anos com muita história pra contar. Afinal, destas oito décadas, temos seis dedicação ao jornalismo.

Filho de Manoel Lopes Haygert e Nandy Gomes Haygert, a família chegou ao Paraná em 1948. O pai trabalhou como estatístico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fundou várias agências do órgão em cidades paranaenses.

Murá e sua alegria ao entrevista nomes como Jaime Lerner – Foto: Annelize Tozetto

“Comecei em março de 1960 na revista Clube, com Dino Almeida. A revista funcionava no Edifício Tijucas, e era voltada para temas da alta sociedade, o que era muito comum, porque na época não tínhamos tantos meios eletrônicos de comunicação. Também, a cidade de Curitiba, então com cerca de 400 mil habitantes, acabava gravitando em torno destas pessoas importantes da comunidade. Era uma revista importante, e o Dino Almeida era um símbolo dessa modernidade que começava a chegar em Curitiba. A cidade deixava de ser uma aldeia e passava a se tornar importante”, relembrou Murá em entrevista á Banda B.

Murá passou por todas as mídias, do rádio à TV e também o impresso. Os microfones do radiojornalismo vieram três anos depois do início da carreira.

Murá em uma das homenagens pela sua trajetória – Foto: Annelize Tozetto

“Por volta de 1963 iniciei no radiojornalismo diário com boletins que eu preparava para a Rádio Ouro Verde, ainda na mesma rua José Loureiro. Eu escrevia o boletim e ia apresentar na rádio de duas em duas horas. Também trabalhei no jornalismo da Rádio Colombo, que funcionava na esquina da rua Monsenhor Celso com a Marechal Deodoro. Ali, conheci Ari Fontoura, Lala Schneider, todo mundo no rádio-teatro. Mas embora eu tenha passado também em outros programas de televisão, também na Educativa, na RIC, meu forte mesmo, minha concentração, é a mídia impressa”, revela.

O professor revela ainda que teve que se adaptar com a chegada das mídias digitais. Deu um jeito e aprendeu.

“Sem ser rico, com aposentadoria pequena, sem imóveis que me garantam alugueis para receber, não tenho alternativa se não continuar trabalhando. Graças a Deus a cabeça está inteira. Tive que me adaptar. Há uns vinte anos comecei a entender a internet, trabalhar com ela, e ainda tenho algumas dificuldades com a tecnologia, como todo mundo tem, mas tenho gente que me ajuda nisso. Minha família, minha equipe, me ajudam muito”.

Em sua casa, sempre cercado por livros – Foto: Annelize Tozetto

E o aniversariante não tem dúvidas de que, mesmo na era da internet, o bom jornalismo é fundamental.

“Minhas grandes e definitivas lições aprendidas foram dentro de redação de jornal. Antigamente havia uma portinhola em que as pessoas traziam notícias em papeizinhos, passavam pela janela, e eu pegava isso, depois ia para a rua, fazia reportagens, de tudo. Nada supera a escola de uma boa redação, seja de jornal, de rádio, de televisão. Estou falando de jornalismo profissional, não dessa onda de “fake news”, dessa bobagem que a internet pode acabar se transformando, tornando meros usuários de redes sociais em “jornalistas”. Jornalismo é outra coisa. Eu posso fazer pão, mas não sou padeiro. Jornalista é o profissional da área”.

Em breve, Murá vai lançar Vozes do Paraná 12 – Foto: Annelize Tozetto

Vozes do Paraná

Autor de inúmeros livros, Murá tem na sua coleção “Vozes do Paraná – Retratos de Paranaenses”, um grande orgulho.

Em sua décima segunda edição, apresenta vida e obra de paranaenses de diversas latitudes, profissões e níveis sociais com contribuição singular à vida paranaense.

Dentre os perfilados – são 270 – estão Jaime Lerner e Fani Lerner, Euclides Scalco, Dr. Ricardo Pasquini, escritor João Manoel Simões, advogados José Lúcio Glomb, René Ariel Dotti, Francisco Zardo, Luiz Carlos Rocha, Helio Gomes Coelho Junior, Ney de Freitas; professor e estudioso da cultura judaica Antonio Carlos da Costa Coelho; jornalistas Fábio Campana, Nilson Monteiro, Julio Zaruch, Hélio de Freitas Puglielli, Walter Schmidt, Szyja Lorber; publicitários Sérgio Silbert Reis e Eloi Zanetti; empresários: Francisco Cunha Pereira Filho, Mário Gonzaga Petrelli, Gláucio De Mio Geara; cientista Eleidi Freire-Maia; artistas plásticos Carlos Eduardo Zimmermann; homens públicos – Luiz Carlos Martins, Orlando Pessuti. Educadores Valdemiro Gremski, reitor da PUCPR; religiosos: Dom Pedro Fedalto, Dom José Antonio Peruzzo e reverendos presbiterianos Jean Seletti e Juarez Marcondes; o presidente do TJPR, desembargador Xisto Pereira; desembargador Joatan Carvalho, entre muitos outros;

· A edição 12 de Vozes do Paraná está em fase final de elaboração: terá entre os perfilados o secretário da Casa Civil do Governo do Paraná, Guto Silva; o empresário e dirigente do Grupo RIC, Leonardo Petrelli; empresário Newton Bonin; desembargadora Rosane Andriguetto do TJPR; o jornalista Julio Cezar Rodrigues; Dino Almeida “in memoriam”; o presidente da Associação de Emissoras de Rádio do Paraná, Michel Micheletto; o jornalista David Campos, ex-secretário de Imprensa de Jaime Lerner, hoje diretor adjunto à Presidência da Copel. E Mônica Rischbieter, paradigmática gestora cultural, presidente da Fundação Teatro Guaíra.