Os números impressionam. Em Curitiba, a frota atual de veículos corresponde a 75% da população.Como se a cada 10 habitantes, quase oito têm carro. Mas há espaço para tantos veículos nas ruas?

De acordo com levantamento do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), na capital paranaense, de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2020 houve um aumento de 3% na frota, passando de 1.416.434 para 1.456.576 veículos. O número atual corresponde a 75% do número de habitantes da cidade, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro de 2019, em 1.933.105 moradores. No Paraná, o número de veículos aumentou 4% no mesmo período, um salto de 7.237.435 para 7.496.666.

Foto de arquivo SMCS

Para o diretor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Engenheiro Civil e Especialista em Infraestrutura e Transportes, Rafael Fontes Moretto, com o aumento de veículos nas ruas, ano após ano, principalmente nas grandes cidades, o trânsito em breve atingirá sua capacidade máxima.

“Sem política de investimentos no trânsito, em 10 anos teremos problemas sérios. É necessário e urgente o investimento em outros meios de transporte, como as modalidades ferroviária, metroviária e hidroviária, para que a sociedade não fique tão dependente somente do sistema rodoviário, como ocorre atualmente, tanto para escoamento de produção quanto para transporte de pessoas. Os problemas que ocorrem nas cidades de grande porte já começam a surgir nas cidades de médio porte”, avalia o diretor do Crea-PR.

Acidentes

Um dos impactos diretos da utilização intensa das rodovias é o número de acidentes. Em 2019, a Polícia Rodoviária Estadual registrou 9.896 acidentes, em sua maioria ocasionados por colisões leves. Nos casos mais graves, houve registros de 6.841 feridos e 699 óbitos, com aumento de 11% no número de vítimas fatais no comparativo com 2018. Na região de Curitiba, segundo o mesmo levantamento, foram 105 mortes nas rodovias, só no ano passado, um aumento de quase 42% no comparativo com 2018, quando foram registrados 74 óbitos.

“Pode-se afirmar que 90% dos acidentes são ocasionados por fator humano, sendo grande parte por imprudência, mas outros fatores são considerados, como falta de manutenção da rodovia ou falta de manutenção do veículo. Por isso, é preciso uma mudança de cultura das pessoas e investimentos em estruturas de trânsito alternativas”, afirma Moretto.

Entre as sugestões de investimentos apontadas pelo especialista em Infraestrutura e Transportes constam:

Construção de centros de distribuição longe das grandes cidades;

Foco em outras malhas, como ferrovias, metrovias, hidrovias e ciclovias;

Cumprimento das projeções de pavimentação anunciadas pelo poder público;

Melhoramento das vias já existentes, com ampliação da capacidade e obras especiais (viadutos, pontes, túneis) para melhorar a fluidez.

Um dos pontos principais ressaltados pelo Engenheiro é o investimento em transporte coletivo e ciclovias como uma forma de estimular a construção de uma cultura social mais sustentável em termos de trânsito. No Paraná, atualmente, estão registrados 40.504 ônibus e 23.645 microônibus,.

Maio Amarelo

A Campanha Maio Amarelo teve início em 2010 a partir da Assembleia Geral das Nações Unidas que editou uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a década de ações para a segurança no trânsito. Desde então, atos de conscientização são realizados em todo o mundo, objetivando chamar a atenção dos motoristas e, consequentemente, diminuir os acidentes de trânsito.

Com o tema “Perceba o risco. Proteja a vida”, este ano, as ações presenciais da campanha foram adiadas para o mês de setembro, por decisão da coordenação do Movimento Maio Amarelo, com base nas orientações do Ministério da Saúde referentes à Covid-19.

De acordo com os organizadores, realizar o Maio Amarelo com a mobilização que tradicionalmente ocorre – caminhadas, blitze, palestras – seria inconcebível nesse momento de isolamento social. No entanto, para a campanha não ser esquecida, materiais de conscientização estão sendo desenvolvidos para as mídias sociais, produzidos em home office.