Com capacidade de atendimento no limite, autoridades de saúde por todo o país têm orientado que a população evite confraternizações em família que escapem ao núcleo familiar. Para tentar ‘driblar’ essa orientação, porém, muitos tem optado pela realização de testes PCR, justamente para tentar verificar a presença ou não do vírus. O Hospital de Clínicas, porém, fez um material com um alerta nesta segunda-feira (21), que é o fato de os testes não anularem o risco de obtenção do coronavírus e eventual propagação para familiares.

Foto: Divulgação UFPR

De acordo com o médico infectologista Bernado Montesanti, o teste pode sim ajudar a identificar um eventual transmissor, mas de forma alguma anula o risco. “A pessoa pode estar incubando o vírus no momento do teste e temos como resultado um negativo, principalmente se a gente tiver um tempo de dias entre a realização do teste e o encontro familiar. Se eu me testo hoje, para me encontrar com minha família daqui cinco dias, o teste tem muito pouca utilidade. Ele não substitui os demais cuidados e precauções contra a Covid-19”, explica.

A preocupação das autoridades de saúde com as festividades de fim de ano se justifica pela alta do número de casos ocorrida entre os meses de novembro e dezembro. Apenas nos últimos sete dias, foram 6.859 novos casos em Curitiba, o que reflete na ocupação de 91% nos leitos de UTI exclusivos SUS Covid-19.

No HC, Montesanti confirma que a margem de trabalho gira em torno de 95% de ocupação. “O colapso foi evitado artificialmente pelo aumento no número de leitos. Mas esse aumento tem um limite e ele já chegou. Se aumentar a demanda, dificilmente vai ser possível aumentar a capacidade do sistema. Na medida que se criam leitos, é necessário que tenhamos equipe para cuidar quem está internado e pode ser uma que não está habituada a cuidar de paciente grave ou algum outro fator, então a qualidade do atendimento também pode cair”, diz.

Com a possibilidade de falso negativo, então, a orientação segue no sentido que as pessoas comemorem Natal e Ano Novo apenas dentro do núcleo familiar, ou seja, com as pessoas com que você mora. “Entendemos a grande dificuldade e a necessidade que as pessoas tem de se encontrar, mas prorrogue a reunião familiar para o ano que vem, em uma condição mais confortável, principalmente se a família for de uma cidade diferente”, conclui.

Confira as orientações em vídeo elaborado pelo HC: