Mobilização foi realizada em frente à Prefeitura (Foto: Flávia Barros – Banda B)

 

A diretoria do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc) se reuniu com a Prefeitura de Curitiba, na tarde desta terça-feira (13), para pedir a retirada do projeto que implementa a bilhetagem eletrônica em toda a cidade e pode acabar com a profissão de cobrador. De acordo com a entidade, a administração municipal prometeu analisar o pedido e, enquanto isso, as mobilizações vão continuar.

Segundo o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, a categoria entende que o projeto precisa ser retirado para, aí sim, ser debatido. “Nós não podemos viver com uma faca no pescoço do cobrador, já são tantas através de assaltos e não podemos ter outra na Câmara Municipal. Então, vamos continuar nas mobilizações contra o projeto”, disse.

Sindimoc se encontrou com prefeitura na tarde de hoje (Foto: Flávia Barros – Banda B)

O prefeito em exercício, Eduardo Pimentel, disse que a prefeitura tem uma grande preocupação com a questão dos empregos e vai analisar o pedido. “A bilhetagem não quer eliminar o cobrador, que implantar um processo moderno na cidade. Obviamente a discussão será ampla na Câmara e ele poderá ser intensamente discutido. Sabemos da convenção coletiva que dá 12 meses de estabilidade, mas já prevê a profissionalização deles, então a prefeitura obviamente vai acompanhar e não quer que eles fiquem sem seu sustento de uma hora para outra”, disse.

O prefeito Rafael Greca não participou da reunião, mas uma carta será entregue a ele. Um novo encontro da categoria, agora com a Urbs, foi agendado para a próxima semana.

Protesto

Antes de ser recebida pela administração municipal, a categoria realizou uma passeata. A mobilização saiu da sede do Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc), na Rua Tibagi, e segue até a Prefeitura, na Avenida Cândido de Abreu.

O cobrador Roberto Viveiro disse que o objetivo é fazer com que o prefeito Rafael Greca desista do projeto.  “São 6 mil pais e mãe de família que podem ficar sem emprego, eu sou um deles. Eu espero que ele olhe por nós e reflita sobre a necessidade desses empregos. O cobrador hoje é essencial e, sem a gente, o motorista terá muita dificuldade”, disse.

Projeto

O projeto encaminhado à Câmara prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus, onde não há cobrador. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus.

Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus. “Os dados demonstram que os cobradores são alvo de roubos e violência, bem como o patrimônio público acaba sendo objeto de vandalismo e depredações”, diz a proposta, concluindo que a alteração reduziu em mais de 90% dos assaltos em coletivos.

As empresas de ônibus defendem a medida e garantem que a proposta dá mais eficiência ao sistema e traz mais segurança, já que retira a circulação de dinheiro de dentro dos coletivos. As empresas ainda afirmam que os trabalhadores teriam uma estabilidade de 12 meses nos empregos e podem passar por cursos de qualificação, até mesmo para continuar trabalhando no transporte coletivo.