No imaginário das crianças, um cientista pode ser aquele ‘cara maluco’, vestido de branco, que parece ser inalcançável. Para aproximar os estudantes da ciência e mostrar que eles mesmos podem ser pesquisadores um dia, a Prefeitura de Curitiba lançou, em setembro do ano passado, o projeto “Cientistas na Escola”.

De acordo com a professora da rede municipal Santina Bordini, a iniciativa convida acadêmicos e professores universitários a levarem para as escolas pesquisas que possam promover, junto com as crianças, a construção de conhecimento.

“A ideia é fazer com que a ciência se aproxime cada vez mais da escola de educação básica. Para isso, chamamos cientistas de diferentes instituições de ensino de Curitiba para visitar as escolas, levando experimentos e contando como é a vida de um pesquisador. O objetivo é desmistificar essa noção se que o cientista é aquele sujeito ‘maluco’ que está longe dos estudantes”, explicou a professora.

Desde o ano passado, 4 mil estudantes de 130 escolas foram beneficiados com o projeto, que já contou com a participação de mais de 80 cientistas. Um deles é o professor Francisco de Assis Marques, do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para ele, a iniciativa da prefeitura é essencial para que o conhecimento produzido no meio acadêmico atinja os demais setores da sociedade.

“A universidade é uma instituição que tem que ensinar e realizar pesquisa e extensão, sem se isolar em si. Ela precisa se aproximar o máximo possível da comunidade e essa é uma atividade que proporciona isso, a partir do trabalho com as escolas, levando conhecimento para as crianças. Esse é o papel que o professor pode e deve fazer, porque o Brasil precisa de educação de qualidade, o que ele já tem, mas que nós estamos reforçando”, afirmou Marques.

Despertando o interesse das crianças

Segundo o professor da UFPR, o projeto “Cientistas na Escola” aguça bastante o interesse das crianças pela ciência. Por isso, trabalhar com estudantes do ensino fundamental é satisfatório. “Eles aprendem muito, porque são os verdadeiros cientistas, curiosos por natureza e ávidos pelo conhecimento. Se você souber explorar isso, consegue ter um instrumento importante de ensino”, completou.

A estudante Letícia Tereski, que cursa o terceiro ano de Química na UFPR, teve a oportunidade de participar do projeto junto com o professor Marques. Ela disse que se interessou por esse tipo de trabalho depois que entrou em contato com o Programa de Educação Tutorial (PET) da universidade. Desde então, a jovem não parou de levar o que aprendeu para as escolas.

“No caso do projeto ‘Cientistas na Escola’, o que eu mais gosto é mostrar para as crianças que elas têm a possibilidade de chegar à universidade, o que eu acho que ainda é uma coisa muito limitada. Esse é um diferencial que a gente propõe… Eu me sinto realizada, é algo bem bonito de ver na profissão que escolhi. Eu posso, além de informar, ver a reação de descoberta e curiosidade no rosto dos estudantes”, comentou a universitária.

Aprovação da comunidade e ‘currículo’ para as escolas

Convidada para conhecer o projeto na Escola Municipal Pró-Morar Barigui, na Cidade Industrial de Curitiba, a comerciária Andreia Ferreira assistiu a apresentação dos experimentos de Química para os pequenos. Ela adorou a ideia e aprovou o trabalho dos pesquisadores dentro das escolas. “Eu achei excelente. Tenho certeza que esse dia será marcante na vida das crianças e que daqui sairão muitos cientistas. Na minha época, a ciência parecia ser mais complicada e não ficava na nossa cabeça. Mas, hoje em dia, os professores conseguem transmitir o conhecimento de uma forma mais fácil, que os estudantes vão conseguir memorizar”, declarou.

Maryah Zanella, formada em Relações Internacionais pela Unicuritiba, também ficou encantada com a experiência proporcionada pela iniciativa. “Foi incrível. Eu estudei em colégio público e não tive esse contato… Mas todos os experimentos [mostrados pelo docente e estudantes de Química] foram bem legais e captaram a atenção das crianças. No momento em que o professor começou a falar, todos pararam para ouvi-lo, achei genial”, finalizou.
Os benefícios do projeto se estendem ainda aos professores e profissionais de Educação das escolas que abrigam as pesquisas. Isso porque, ao longo do desenvolvimento das atividades com o projeto, a unidade ganha um referencial teórico e científico para qualificar ainda mais o trabalho de investigação dos estudantes.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Esta é a terceira reportagem de uma série de três com o tema Educação e Inovação em Curitiba. Confira as duas primeiras abaixo: