Após protesto realizado em frente à Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, representantes de centros esportivos se reuniram com a pasta nesta terça-feira (12) para discutir o funcionamento do setor, que está parado há seis meses por conta da pandemia do coronavírus. Após o encontro, Márcio Bittar Neves, que é dono de quadras na capital e também na região metropolitana (RMC), destacou que um acordo definitivo não foi fechado, mas um novo posicionamento da Prefeitura deve sair na próxima quinta-feira (14). Em entrevista à Banda B, a secretária Márcia Huçulak afirmou que entende os pedidos dos manifestantes, mas ressaltou que as vidas são prioridade neste momento de pandemia.

 

A categoria se reuniu com a secretaria municipal da saúde nesta terça-feira (12). Foto: Antônio Nascimento/Banda B

 

O caso foi repercutido pela Banda B nesta segunda-feira (11). O decreto municipal, que foi prorrogado por mais 15 dias na última sexta-feira (8), manteve a suspensão de atividades em espaços de práticas esportivas coletivas.

“O nosso setor está em desespero. Os centros esportivos são terrenos grandes, em média, eles têm em torno de 10 mil metros quadrados, então você imagina o valor do IPTU. As lanchonetes nos centros são sustentadas pelo movimento que vem dos jogos, por isso estamos com as geladeiras desligadas e com produtos estragando. Está se tornando uma situação insustentável”, explicou a proprietária de centros esportivos e secretária-geral da Associação Paranaense dos Centros Esportivos, Deise Correa, em entrevista à Banda B.

Para tentar driblar os riscos, a categoria formulou um protocolo para um retorno seguro às atividades. O documento foi apresentado à Prefeitura e, de acordo com Bittar, a categoria não saiu satisfeita com o resultado, embora tenham recebido o compromisso da Prefeitura de avaliar toda a situação.

“A gente gostaria de voltar a trabalhar. Estamos há seis meses parados, entre 2020 e 2021. Conversamos com o comitê da Saúde e eles nos explicaram todos os dados epidemiológicos, mas não entendemos como outros setores conseguiram a liberação e a gente não”, disse ele mencionando o protocolo sanitário elaborado pelo grupo. “A gente quer voltar a trabalhar com ele. Não queremos fazer um comparativo com outros segmentos até porque cada um deles tem a sua peculiaridade. No entanto, como vários segmentos não essenciais, e que tem um grande fluxo de pessoas, foram normalizados e os centros esportivos, que tem bastante espaço e são arejados, não. Eles vão avaliar o protocolo e até quinta, no mais tardar sexta-feira (15), vão nos dar um novo posicionamento”, comentou.

Prefeitura

À Banda B, a secretária de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, ressaltou que entende as manifestações e a preocupação diante da grande perda de renda. Porém, fez questão de ressaltar o risco das aglomerações e, especificamente, no caso das quadras de futebol mencionou a junção de pessoas que não tem convívio diário para facilitar o contágio.

“Isto é o que nos preocupa muito. A gente acompanha estes centros esportivos e quadras de futebol. Eu passei por vários e, é claro, tem contato físico, porém as pessoas não usam mascaras. Mas, principalmente, os frequentadores encontram pessoas que não são do seu convívio. A gente tem discutido sobre isto, mas não tem segurança para liberar esta atividade”, iniciou.

“Porque, os jovens, em grande parte, vai ter caso leve. Mas, ele é um agente transmissor e leva para dentro de casa. E aí, compromete a vida dos idosos. Eu sei que as pessoas estão perdendo emprego e renda. Mas a tua recuperação econômica pode acontecer daqui a pouco. As vidas, porém, elas não voltam e isto é um preço muito alto a ser pago”, concluiu Huçulak à Banda B.

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