Quadro de relatos no site da USP

Apenas o município de Rio Branco do Sul, na região metropolitana de Curitiba, sofreu um tremor de terra na madrugada desta segunda-feira (18). O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) atualizou o sistema e afirmou que houve um equívoco na divulgação das informações, em que estava incluída a cidade do norte do Estado, São Jerônimo da Serra. A magnitude oficial é de 3,5, segundo a escala Richter, registrada à 0h16. O abalo foi sentido também em Itaperuçu.

Rio Branco do Sul, na RMC. Foto: Divulgação

De acordo com a USP, o sistema operava de maneira automática durante a madrugada, quando ocorreu o erro. “Horas depois, a informação foi analisada de maneira manual e corrigida apontando que tinha sido registrado um único abalo na cidade de Rio Branco do Sul”, diz o Centro de Sismologia.

A magnitude também baixou – de 4,5, informado inicialmente, baixou para 3,5 na escala Richter. O epicentro foi registrado em Rio Branco do Sul e, pela proximidade, foi sentido pela cidade vizinha de Itaperuçu. Outros municípios também têm relatos.

Estragos

Não houve registro de estragos e danos materiais na cidade até o fim da manhã. Segundo o professor Eduardo Salamuni, do
Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná, a profundidade de 50 quilômetros do terremoto registrada na região metropolitana auxilou que as ondas chegassem à superfície com menos intensidade. “É um terremoto muito fundo, não é comum. Esse é o motivo de as pessoas não terem tido estragos, as ondas sísmicas chegam com uma diferença de ondas grande entre si na superfície”, explicou.

Nada comuns no Brasil, o terremoto da madrugada de hoje aconteceu em um corredor de falhas geológicas que a região do Paraná possui. “Existem outros terremotos historicamente no Paraná, em Telêmaco Borba, em Jaguariaíva, até mesmo perto Londrina, e que estão esses corredores. Ele é limitado por duas falhas geológica que se chama São Jerônimo/Curiúva e a outra mais ao sul que se chama Rio Alonso, tem uma direção noroeste/sudeste. Isso não quer dizer que essas falhas estejam ativas, mas elas representam uma fraca e tênue atividade que poderia ser considerada atualmente”, descreve a origem.

Recorde

O maior terremoto já registrado no Paraná aconteceu em 2006, nos Campos Gerais, com epicentro em Telêmaco Borba e registro de 4,3 graus da escala Richter. Os abalos foram sentidos em Castro, Ponta Grossa, Imbaú, Ortigueira, Reserva e Tibagi. No Brasil, o maior tremor de terra do Brasil foi em 1955, no norte de Mato Grosso, e atingiu 6.6 graus na escala.

Preocupação

O geólogo e professor Eduardo Salamuni afirma que não há motivos para preocupações, já que a probabilidade é que não se ocorra outro terremoto na cidade pelas próximas décadas. “Não vai haver qualquer outro evento. A característica da crosta aqui no Brasil, mais particularmente a que estudo aqui no sul do país, é que quando acontece essa liberação de tensão, relativamente importante nesses casos, ela vai demorar muito tempo, no ponto de vista geológico, para acumular tensão novamente. Pode demorar dezenas de anos para acumular essa tensão, novamente. Diferente quando há atividade tectônica intensa, como acontecem no Chile e na Itália”, detalhou.