Pelo menos 500 casas foram destruídas em Itaperuçu e duas pessoas morreram. (Foto: Daniela Sevieri – Banda B)

 

Após um tornado deixar um rastro de destruição em Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba, os moradores se perguntam se é possível que um alerta seja emitido com antecedência para evitar desastres. Segundo o técnico em meteorologia e ‘caçador de tornados’, Acácio Cordioli, de 26 anos, a resposta, por enquanto, é não.

“Infelizmente, o máximo que conseguimos hoje em dia é um alerta com 15 minutos de antecedência. Por isso, não há como organizar uma mobilização tão grande para informar as pessoas. O que temos é o alerta que vem por SMS para avisar sobre tempestades, mas ele não se mostra bastante efetivo. Mesmo nos Estados Unidos, com toda a tecnologia que eles têm, é inviável descobrir muito tempo antes a incidência de tornados”, disse Cordioli em entrevista à Banda B.

O técnico trabalha em Maringá, no Norte do Paraná, há sete anos, ‘caçando’ tempestades severas. Um dia antes do tornado atingir Itaperuçu, na última quinta-feira (29), ele participou de uma conversa em um grupo de meteorologistas que falava sobre a possibilidade de ocorrências perigosas na região Leste do estado.

“Eles falaram que as coisas poderiam ficar feias nessa área do Paraná porque a instabilidade estava muito alta. Claro que a incidência de tornado é difícil, mas não impossível. Naquele dia, quando a tempestade passou por Curitiba, já chamou a nossa atenção. Assim que apareceram as primeiras imagens de Itaperuçu, feitas à noite, eu bati o olho e vi um carro arremessado. Na hora eu já pensei que aquele tipo de estrago era bem característico desse fenômeno”, completou.

Segundo Cordioli, no dia seguinte, imagens de drones confirmaram aquilo que ele desconfiava. “Eu consegui fazer um georreferenciamento na área, cruzei as informações e percebi que o rastro dos danos era condizente com aqueles causados por tornados”.

Após analisar imagens e entrevistas com moradores da cidade, o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) classificou o fenômeno como um tornado F1 na ‘Escala Fujita’, já que a velocidade registrada foi de aproximadamente 120 km/h. Em termos de comparação, os tornados mais comuns em regiões norte-americanas são da faixa de F3-F4, com mais 200 km/h.

Dicas de segurança

Segundo Cordioli, apesar das limitações da emissão de alertas para evitar desastres, os moradores podem tomar algumas medidas de segurança durante a ocorrência de tempestades severas ou de tornados. “É importante conhecer a estrutura da sua casa. Geralmente, o banheiro é a parte mais reforçada, porque tem bastante encanamento. Nesse último tornado, nós tivemos o exemplo de uma mulher que teve a residência destruída, mas sobreviveu porque correu com os netos para o banheiro. Esse foi o único lugar que ficou intacto. O essencial é se proteger dos destroços que voam”, explicou.

Profissão: ‘Caçador de tornados’

Por mais estranho que pareça, Cordioli contou que decidiu se tornar um ‘caçador’ de tempestades e tornados para enfrentar o medo da chuva. “No começo eu não conseguia nem olhar para fora quando chovia, mas tinha curiosidade em saber como esses fenômenos se formavam. Então decidi pegar a minha câmera e registrar isso”, comentou.

O técnico já é conhecido por documentar outros fenômenos no Paraná. Em 2015, por exemplo, ele fotografou a formação de nuvens funil durante uma tempestade que atingiu Marialva, na região Norte.

Vídeo

A página do Facebook Grupo Tornados no Brasil – Meteorologia postou um vídeo que mostra o tornado em Itaperuçu. Assista abaixo: