Quase um mês depois de a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) tornar público que os reservatórios de água de Curitiba e região metropolitana chegaram aos menores níveis da história, o órgão afirmou nesta terça-feira (8) que as barragens que compõem o Sistema de Abastecimento Integrado da RMC chegaram a 34,52%.

No dia 11 de novembro, a crise hídrica chegou ao seu pior cenário, com 26,7% de reservação. À época, a companhia chegou a informar que o sistema de abastecimento poderia entrar em colapso 18 dias após o anúncio deste dado.

Ainda em novembro, o diretor de Comunicação e Marketing da Sanepar, Hudson José, afirmou durante entrevista à Banda B que um rodízio mais rígido estaria previsto para acontecer quando o acumulado de água chegasse a 25%, ou seja, 1,7% de diferença.

Foto: Sanepar

Porém, Hudson José revelou em entrevista à Banda B nesta terça-feira (8) que o cenário é positivo e as notícias são promissoras. As quatro barragens, do Rio Iraí, Passaúna, Piraquara I e II, possuem um bom índice de reservação, o que nos distancia dos 25%. “Caso cheguemos a esse limite [25%], seremos obrigados a implantar um sistema de rodízio mais severo”, afirmou.

Para o representante da Sanepar, houve uma boa recuperação nos últimos dias. “A ação combinada de rodízio, chuva e economia nos faz conseguir um distanciamento do rodízio severo”, avaliou.

Na primeira semana de dezembro, já havia chovido entre 50mm e 60mm nos reservatórios da Sanepar na Região Metropolitana de Curitiba, no entanto o nível das barragens chegou a 32%, o que é baixo e se faz necessária a continuação de rodízio de abastecimento, e economia.

Novo rodízio

Em agosto, por conta da forte estiagem, a Sanepar decidiu adotar um novo tipo de rodízio. Antes composto por cinco grupos de bairros, o número foi para três. Ainda, houve redução do intervalo entre a suspensão e retomada do abastecimento. Hoje, os moradores de Curitiba e região ficam um dia e meio sem água e um dia e meio com (36 horas x 36 horas).

A medida foi anunciada pela empresa de saneamento como “necessária devido à forte estiagem que afeta os níveis dos reservatórios do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (Saic)”.

Em Capanema, o Rio Siemens praticamente secou. Foto: Sanepar

Questionado sobre a possibilidade de mudanças em relação ao atual sistema de rodízio, o diretor de Comunicação e Marketing da Sanepar disse que é necessário que as barragens cheguem ao nível de 60% de reservação, o que significa um aumento de 25,48%.

“O rodízio se iniciou em março com uma fase mais branda, eram quatro dias com água e um sem. Quando implantamos o sistema mais rígido em agosto, o cenário era de seca severa e apontava para uma situação que indicava claramente que teríamos que passar por isso até outubro, e realmente aconteceu”, observou.

Para ele, foi graças ao rodízio e à reservação que a capacidade de abastecimento e fornecimento de água pôde ser cumprida.

“Mais um vez: precisamos combinar chuva, rodízio e economia para cumprimos a meta. Imaginamos que assim, ao termos o nível de 60%, poderemos retomar o sistema de abastecimento numa escala normal”, afirmou sobre a mudança para um rodízio de 48h com água e 24h sem.

Passaúna, um dos principais rios que abastecem Curitiba e região metropolitana. Foto: Divulgação Sanepar

Hudson José se mostrou otimista ao destacar que a previsão para a manutenção do sistema de rodízio e reservação perdure até março de 2021. “O rodízio deixará de ser usado quando tivermos a garantia de que o sistema não terá nem colapso e nem risco de desabastecimento”, ressaltou.

Chuva

Apesar da ocorrência de chuva nos últimos dias, não há previsão de uma precipitação acumulada de maior volume para os próximos sete dias em Curitiba e região, segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar).

Nesta terça-feira (8), de acordo com as previsões do Simepar, a probabilidade de ocorrência de chuva é de 93% e o volume de precipitação acumulada é de 13,5 mm.

Desperdício

Em relação à aproximação das festas de fim de ano, o diretor explicou a importância de as pessoas continuarem evitando o consumo desnecessário. “As pessoas já têm a fórmula da economia, conseguem dominar o processo. Temos falado de hábitos simples de serem adotados como diminuição do tempo de banho e o acúmulo de roupas a serem lavadas em apenas um dia da semana”, disse.

Para ele, as medidas vão ao encontro da economia em termos de dinheiro para o consumidor e a simbologia do respeito ao próximo.