Acontece neste sábado (14), às 9h da manhã, a audiência de custódia dos motoristas envolvidos na morte da estudante Caroline Beatriz Olímpio, de 19 anos, que foi atropelada em frente a Universidade Positivo, no bairro Campo Comprido, na última quinta-feira (12), por dois jovens que, segundo testemunhas, estavam participando de um ‘racha’.  A audiência de custódia é um ato do Direito processual em que o acusado preso em flagrante é ouvido por um juiz para que seja avaliado se houve eventuais ilegalidades em sua prisão.

 

CASO

Caroline, estudante de Arquitetura da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) estava voltando da faculdade depois de tentar tirar um xerox, em frente à sua faculdade, quando foi atropelada por Fernando Rocha Fabiani, condutor do veículo UP TSI, e acabou morrendo na hora. Testemunhas que estavam no local relataram que ele e outro motorista, de um Citroen preto, praticavam um ‘racha’; o motorista do Citroen fugiu. O impacto da batida foi tão grande que moradores de prédios próximo ao local acabaram ouvindo o barulho da colisão: “Eu escutei o barulho do freio, logo em seguida da batida e vi que a menina foi jogada para cima”, afirmou um estudante. Outras testemunhas disseram à Banda B que os dois estavam dirigindo com a velocidade superior a 120 km/h.

Veículo UP TSI após atropelar a estudante Caroline Beatriz. Foto: Banda B

 

MANIFESTAÇÃO

No mesmo dia em que aconteceu o acidente, moradores da região onde Caroline foi atropelada, no bairro Campo Comprido, organizaram uma petição a fim de pedir à prefeitura a instalação de um redutor de velocidades naquele trecho, já que é comum haverem corridas na via Pedro Viriato Parigot de Souza, onde a estudante morreu, como afirmaram moradores da região: ‘Isso aqui final de semana, durante a madrugada, é racha o tempo inteiro. O pessoal fica dando volta no quarteirão apostando corrida. Já aconteceram vários acidentes aqui e os alunos tem que tirar a sorte para atravessar a rua”, disse Carla Strep. 

A petição foi feita de forma online pela moradora do bairro Fernanda Busato e já conta quase 5 mil assinaturas.

Manifestantes estiveram no local onde Caroline foi atropelada. Foto: Daniela Sevieri

Patrícia Carvalho Martezi, uma das organizadora do protesto em frente ao local do acidente, disse à Banda B que os moradores já haviam pedido, por várias vezes, mudanças no local em relação ao trânsito, mas segundo ela, sempre houveram escusas: “Já tínhamos feito solicitações para a prefeitura antes, mas tivemos negativas. Em uma das vezes, eles alegaram não ter o aparelho de radar, já na outra oportunidade eles disseram que não havia necessidade no local. A gente que vive aqui sabe que a verdade não é essa”.

 

DESPEDIDA

O velório da estudante, na Igreja Metodista do bairro Pinheirinho, foi marcado pela indignação e tristeza. Os pais da vítima, diante do profundo abalo, não falaram com a imprensa sobre o caso. Entretanto, os tios da jovem, bastante emocionados, disseram que o que os acusados fizeram “não tem perdão” depois de Fernando Rocha Fabiani, condutor do UP TSI, pedir perdão à família quando ainda estava no local do acidente. “Só Deus para perdoar, aqui não existe perdão. Nada vai trazer a Caroline de volta. Ela era uma jovem cheia de sonhos, sempre estudou em escola pública, passou em várias faculdades e o que fazia era estudar. Daí vem um, com uma máquina de matar, e acaba com tudo”, disse o tio, Benedito dos Reis.

Igreja Metodista, local onde ocorreu o velório da estudante. Foto: Banda B

O sepultamento acontece às 17h desta sexta-feira (13) no Cemitério Municipal do Boqueirão. 

 

DEFESA

Após a família de Caroline ficar indignada com o anúncio de que Fernando, motorista que atropelou a estudante, teria contratado o escritório de advocacia “Elias Mattar & Advogados Associados” para defendê-lo no caso, o advogado Jeffrey Chiquini entrou como defensor da família Olímpio. Chiquini disse à Banda B que é difícil mensurar a dor que a família da jovem está sentindo, mas diz acreditar na justiça: “Acredito na justiça paranaense independente do resultado da audiência de custódia, mas sabemos que a justiça do Paraná é séria”. Ainda, de acordo com o advogado, “embora haja elementos suficientes suficientes para a manutenção da prisão cautelar, buscaremos que ele seja julgado o quanto antes pelo júri popular e pela sociedade paranaense”, relatou. 

O escritório “Elias Mattar & Advogados Associados” atuou como assistente de acusação no caso do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho, condenado a 7 anos e 4 meses pela morte de Gilmar Yared e Carlos Murillo de Almeida, em maio de 2009. A acusação argumentava que Carli Filho dirigia em alta velocidade e embriagado, o que foi determinante no acidente. Carli Filho, mesmo condenado, não cumpre pena em regime fechado.

 

ACUSAÇÃO

O Delegado da Delegacia de Delitos de Trânsito, Edgar Dias Santana, disse à Banda B que os dois condutores envolvidos foram presos em flagrante e que a decisão já foi informada ao Poder Judiciário, e neste sábado (14) serão submetidos à audiência de custódia. Segundo o delegado, há provas “robustas produzidas durante a elaboração do flagrante” com auxílio de provas testemunhais e provas do sistema de monitoramento da região que “mostram com nitidez a dinâmica do acidente”. 

Delegacia de Delitos de Trânsito, no bairro Capão da Imbuia. Foto: Banda B

Em relação ao Fernando Rocha Fabiani, condutor do UP TSI, que atropelou Caroline, o delegado disse que ele responderá por homicídio em dolo eventual, que é quando se assume o risco de matar previsto no Código Penal. Além disso, responderá por “participação em corrida automobilística não autorizada, ou seja, o ‘racha’”, afirmou. Inclusive, Fernando não confessou ter participado do ‘racha’, já que permaneceu calado durante o depoimento.

Já o segundo acusado, condutor do Citroen preto que fugiu do local após o atropelamento cometido por Fernando, se apresentou à polícia logo após o crime e, de acordo com Edgar Dias Santana, ele também responderá por homicídio em dolo eventual por causa do ‘racha’ e por se afastar do local do acidente. O delegado disse que “foi levado em conta que ao participar da corrida, ele também assumiu o risco de matar alguém”.