A Justiça de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, começa a ouvir nesta quarta-feira (13) as testemunhas do processo que apura a morte de Thatiane Borges de Oliveira, de 37 anos. Segundo a Polícia Civil, ela foi assassinada a tiros pelo ex-marido, Darci da Luz, que não aceitava o fim do relacionamento.

Thatiane foi morta a tiros em Fazenda Rio Grande (Reprodução)

Para o advogado da família de Tathiane e assistente de acusação no processo, Ygor Nasser Salmen, o objetivo da audiência é fazer com que “a verdade” prevaleça. “Temos aqui uma mulher que estava saindo para trabalhar, mãe de dois filhos, e um marido possessivo, que não aceitava o fim do relacionamento. Darci acreditava ter um tipo de hierarquia sobre Tathiane e o resultado é uma desgraça sem precedentes, já que ela foi executada pelas costas por uma pessoa possessiva e irracional”, disse.

Tathiane foi morta na noite de 30 de abril, no Jardim Eucaliptos. Na ocasião, Darci assumiu o feminicídio e disse que fez isso porque Thatiane não aceitava retomar o relacionamento. “Ele disse que tinham se separado por causa das brigas por ciúmes. Foi para a casa da família, mas ficava querendo reatar. Daí comprou uma arma para se suicidar, disse ele, mas não teve coragem. Daí veio decidido a tentar convencê-la de novo e, se ela não aceitasse, iria matá-la e se matar depois. Foi o que fez, mas falou que não se matou porque quando saiu correndo da polícia, as duas balas que sobraram no tambor do revólver caíram”, contou o investigador Vanderlei Caixão.

Trauma

Segundo Salmen, os dois filhos de Tathiane agora estão sob os cuidados de irmã dela. “O feminicídio causa um trauma sem precedentes, já que deixa feridas incuráveis. São crianças que irão crescer sem o carinho da mãe, sem esse afeto”, lembrou.

Entre as testemunhas que serão ouvidas a partir desta quarta estão os policiais que atenderam a ocorrência, vizinhos que ouviram os disparos e pessoas que conheciam o relacionamento entre Tathiane e Darci.