A equipe de meteorologistas do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) decidiu classificar o fenômeno que destruiu diversas casas e equipamentos públicos em Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba, como tornado. Inicialmente, por ausência de dados de radares, houve registros de microexplosões no município. Ao todo, segundo o balanço oficial da Defesa Civil de Itaperuçu, quinhentas casas foram afetadas, tendo algum prejuízo estrutural. Duas mortes diretas pelo temporal foram registradas.

Classificação de tornados. Foto: Simepar

O meteorologista do Simepar Cezar Duquia garantiu à Banda B que, muito embora o tornado tenha se confirmado, a classificação é de um evento fraco. “Tinham algumas possibilidade que não foram conclusivas apenas por dados de radares. Após imagens de drones, entrevistas com moradores, conseguimos confirmar o tornado. É o F1 porque estimamos a velocidade dele em torno de 120 km/h. Ele está na faixa inicial e nos parâmetros de tornados é um daqueles mais fraco, mas mesmo assim causou todos esses estragos”, disse, em entrevista à Banda B.

Em termos de comparação, os tornados mais comuns em regiões norte-americanas são da faixa de F3-F4, com mais 200 km/h. “Esse aqui teve uma área de atuação de cerca de um quilômetro de comprimento, largura de 300 metros, por isso pegou diretamente uma faixa da cidade”, explicou.

O Simepar, por meio de nota oficial, garantiu que o radar meteorológico de Teixeira Soares não conseguiu detectar os sinais típicos de tornado e atribuiu à distância entre o equipamento e a cidade de Itaperuçu, cerca de cem quilômetros.

Por quê?

Depois da destruição em Itaperuçu, moradores ficaram apreensivos com uma possível nova situação de ventos fortes, durante a reestruturação da cidade. No entanto, o meteorologista afirmou que a formação de um tornado necessita de diversos elementos. “Quando a atmosfera começa a ficar aquecida, há alguns ingredientes somados como a configuração do relevo, a concentração de umidade, circulação de ventos locais, a taxa de instabilidade da atmosfera, tudo isso pode contribuir para a formação de uma nuvem-mãe, que chamamos de supercélula, que às vezes pode provocar tornado ou microexplosão. Não é um fato isolado”, descreveu à Banda B. Segundo ele, a maior incidência acontece em regiões rurais.

Cezar ainda explicou que a região Sul do Brasil tem o segundo maior corredor propício para a formação de tornados do mundo. “Pega o Paraná, parte da Argentina, Paraguai, também o sul do Mato Grosso do Sul e o sudoeste de São Paulo. Pega toda essa faixa, até existe um projeto relâmpago que está sendo coordenado junto com os Estados Unidos, para fazer experimentos nessas regiões de tempestades fortes que podem gerar tornados”, finalizou.