Depois do último grave acidente envolvendo um micro-ônibus e um trem, que deixou ao menos 10 pessoas feridas e uma mulher morta, na segunda-feira (19), no bairro Cajuru, moradores organizaram uma manifestação exigindo posicionamento e mudanças que possam mudar o que já tem se tornado recorrente. O protesto acontece, na manhã deste sábado (24), no bairro onde há maior incidência destes acidentes, a cerca de 8 km do Centro de Curitiba.

Ao lado da linha férrea, manifestantes usaram roupas pretas e seguraram cruzes com o intuito de simbolizar o luto e a quantidade de vidas perdidas na região.

Segundo Claudia, uma das moradores e manifestantes, já foram registrados pelo menos 17 acidentes com locomotivas no ano de 2020. “A cada dia que passa os acidentes ficam mais graves. Essa semana uma mãe de família morreu”, afirmou.

Paulo Portela, morador do bairro há 22 anos, destacou que tem amigos que já sofreram acidentes do tipo: “Hoje tenho amigo que tem perna mecânica por causa de um trem”, protestou.

“Queremos uma resposta do Poder Público e do responsável pela linha férrea, porque já tivemos muitos acidentes este ano. Não temos respostas alguma, e são entes queridos morrendo. A vida está sendo banalizada. Ninguém da empresa sequer vem até o local para tomar alguma atitude… Colocar uma cancela, um sinal luminoso, que seja”, disse outro manifestante.

Morte

Na segunda-feira (19), por volta das 23h40, um micro-ônibus que levava funcionários da empresa Volkswagen de volta para casa foi arrastado por um trem da empresa Rumo. No acidente, pelo menos 10 pessoas ficaram feridas e uma mulher, identificada como Sirlei Mendes dos Santos, morreu. Ela estava sentada próximo à janela do coletivo, local que foi atingido em cheio pela locomotiva.

Foto: Banda B

A polícia investiga o caso já ouviu o maquinista e o condutor do ônibus. Na oitiva do motorista do micro-ônibus, ele afirmou que dirigia a 10 km/h quando ouve a colisão, e alegou que a má iluminação contribuiu para o acidente. Disse também que o excesso de árvores no local impediu sua visão.

Foto: Banda B

 

Já o maquinista do trem disse durante depoimento que estava a 42 km/h, que tentou frear e afirmou ter adotado todas as medidas necessárias para evitar o acidente, incluindo buzina e sinais luminosos.

Foto: Banda B

 

A Rumo lamentou o ocorrido e disse em nota que “o motorista cruzou a ferrovia devidamente sinalizada no momento da passagem de um trem. O maquinista acionou todos os procedimentos de segurança, mas não foi possível evitar a colisão”. E afirmou ter tomado medidas sobre esse e outros casos: “Equipes da empresa foram acionadas e prestaram todo suporte as equipes médicas para atender a ocorrência. A empresa realiza campanhas de conscientização para alertar motoristas e pedestres sobre os cuidados com o trem.”