Com a série de demissões dos funcionários do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, pacientes reclamam da demora no atendimento. Só no dia 29 de novembro desse ano, 184 funcionários ligados à Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar), foram demitidos. Com o encerramento de um acordo firmado em 2014, cerca de 680 funcionários podem ser dispensados da casa hospitalar.

Foto: Djalma Malaquias/Banda B

 

Por volta das 11 horas desta quarta-feira (11), uma paciente, que não quis de identificar, disse à Banda B que estava a mais de uma hora esperando para ser atendida. “Sou a senha 35, desde às 9h12 e ainda não chamaram. Estou com hemorragia, para marcar uma cirurgia e tenho que ficar na fila. Eu acho que atendimento está péssimo, está faltando funcionário”, lamentou.

Outro paciente, Valmir Meireles, explicou que o atendimento está demorado, mas as pessoas precisam ter paciência. “Está demorando e eu acho que tenho a obrigação de esperar e entender o que está acontecendo. O que pode ser feito para melhorar? Tem que ter paciência e saber quais são os nossos direitos. Os nossos direitos não é chegar aqui e exigir sem saber qual é a real demanda”, disse.

Demissões

A série demissões na casa hospitalar começou no mês de outubro e, de quase 700 contratados na ocasião, hoje restam apenas 174.

Os alvos das demissões são ligados à Funpar e, desde 2002, possuem os contratos de trabalho questionados por uma ação civil pública, uma vez que foram selecionados sem concurso público. Diante do processo judicial, que ganhou mais elementos após a implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o acordo foi firmado entre Universidade Federal do Paraná (UFPR), Funpar, e o Ministério Público do trabalho do Paraná (MPT-PR).

Além de estabelecer prazo de cinco anos para as demissões, o acordo passou a regular as novas contratações por meio da Ebserh. As demissões aconteceram com o encerramento do prazo estipulado do acordo firmado com o MPT-PR.

Membro da comissão de negociação dos trabalhadores junto ao hospital, Carlos Monteiro da Silva, explicou que o fim do prazo foi prorrogado para o dia 31 de dezembro, o que faz as demissões ainda ocorrerem de forma gradativa. “Hoje sei que mais algumas dezenas de funcionários foram desligados e, como a fundação entra em recesso no dia 20, até o dia 17 todos serão desligados”, explicou.

Hospital de Clínicas

O HC confirma as demissões e afirma que elas estão ocorrendo conforme liberação de verba pelo Ministério da Educação. “Havendo liberação financeira por parte do MEC, tanto a UFPR quanto a Funpar, de forma solidária, se responsabilizam pelo pagamento de todas as verbas rescisórias a que fizerem jus os empregados fundacionais lotados no Complexo Hospital de Clínicas da UFPR. O não cumprimento das obrigações pactuadas no acordo, em caso de ‘descumprimento responderá por multa pecuniária’”, diz o hospital.

Sobre os atendimentos, o hospital esclareceu, em nota, que “a assistência no CHC não foi interrompida. Alguns atendimentos podem precisar de mais tempo de espera para serem realizados, devido à reestruturação de nossos serviços. Nenhum paciente sairá sem atendimento. Todos serão recebidos com a qualidade e excelência com que acolhemos à sociedade nesses 58 anos de história”.

“A orientação aos pacientes é de que o HC continua com seus atendimentos, buscando atender à sociedade com excelência. Nenhum paciente ficará desamparado. A instituição orienta ainda aos pacientes que tenha problemas que formalizem a situação na Ouvidoria do CHC, a fim de que possamos tomar ciência e agir”, orientou a nota.