Foto: Flávia Barros – Banda B

 

Reunidos em assembleia na tarde desta quinta-feira (8), motoristas e cobradores de ônibus aprovaram uma agenda de mobilizações contra o projeto que implementa a bilhetagem eletrônica em Curitiba e abre caminho para extinguir a profissão de cobrador. O primeiro ato está marcado para a próxima terça-feira (13), data em que a categoria irá entregar um documento para o prefeito Rafael Greca pedindo a retirada do projeto da Câmara Municipal.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), Anderson Teixeira, o risco de demissões é muito evidente, então uma greve geral da categoria ainda não está descartada. “Caso esse projeto venha a retirar os trabalhadores de seus postos de trabalho, vamos fazer uma greve geral. Então, além dessa entrega ao prefeito, vamos até o presidente da Câmara no dia 20 para pedir que o projeto não seja aprovado”, explicou.

Para o vereador Rogério Campos (PSC), o objetivo de toda essa mobilização é o de interromper a tramitação do projeto. “Não queremos barrar a tecnologia, mas ela deve ser usada de maneira inteligente. Essa proposta é hoje um bicho-papão para os cobradores e não podemos aprovar um projeto que retire tantos postos de trabalho em um momento de crise como esse”, disse.

O projeto em debate prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus. Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus.

Convenção coletiva

Um dos principais pontos de embate entre os sindicatos das empresas e dos trabalhadores está na convenção coletiva da categoria, assinada no mês de maio. Segundo o diretor executivo das empresas de ônibus, Luiz Alberto Lenz César, esse documento prevê a estabilidade de empregos por um período de 12 meses. “Isso quer dizer que não é a partir de amanhã que vão extinguir todos os cobradores. Esse trabalho seria feito gradativamente e primeiro precisa seguir todo o trâmite regimental da Câmara Municipal. Ao mesmo tempo, teremos um estudo muito grande para a modernização do sistema de bilhetagem, o que levará um tempo bastante grande”, explicou.

Lenz diz ainda que esse trabalho poderia levar de um a três anos, sendo que os cobradores não seriam extintos por completo. “O que acontece é uma redução do número de profissionais. Mas, a partir disso, eles já estarão qualificados para outras atividades dentro da empresa, como auxiliar administrativo, eletricista, mecânico ou ter outras funções”, garantiu.

Para o presidente do Sindimoc, porém, a convenção coletiva não pode ser usada nessa nova discussão. “Em nenhum momento falamos em bilhetagem eletrônica e agora querem usar isso para induzir a população a algo errôneo. Eu nunca sentei com o prefeito para discutir projeto de lei”, concluiu Teixeira.