O paciente José Eudes Januário, de 59 anos, está há 41 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Maringá, no norte do Paraná, e nesta segunda-feira (11) recebeu um ânimo a mais para continuar o tratamento do coronavírus. Devido à melhora no quadro, ele conseguiu ver a família pela porta lateral da casa hospitalar. O paciente foi um lutador, já que chegou a ter parada cardíaca e a família o visitou, no dia 10 de abril, pensando que seria uma despedida. (Assista ao vídeo do reencontro no final da matéria).

Eudes, a esposa e os filhos (Foto: Arquivo Pessoal)

 

A filha de José Eudes, Mariana de Souza Januário, de 21 anos, falou sobre a emoção de ver o pai, mesmo que ainda debilitado e buscando a recuperação dos movimentos. “A emoção hoje foi absurda e eu não consigo parar de sorrir. É todo mundo muito apegado, porque meu pai é uma pessoa maravilhosa. A hora que eu o vi, senti como se tivesse revivido de novo. Escutar a voz dele, mesmo baixinho, foi demais”, descreveu à Banda B.

O drama da família Januário começou há 45 dias, quando José Eudes começou a ter sintomas de uma gripe leve. “Em dois dias ele começou a sentir falta de ar e buscamos atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento. Ele chegou lá super bem, conversando normal, mas a médica nos passou que estava com problema no pulmão e saturação baixa, o que nos assustou”, contou. Este relato vai de encontro ao que muitos médicos falam sobre a covid-19, quando pacientes chegam até rindo no hospital, mas já estão com os pulmões comprometidos, já que o vírus age de forma silenciosa.

Logo em seguida a ida a UPA, José Eudes foi transferido ao Hospital Municipal e em um dia lá precisou ser intubado. Nos primeiros dias as notícias não melhoravam. “A gente passou por momentos da médica ligar e falar de se despedir mesmo, porque dia 10 de abril ele teve uma parada cardíaca. Fomos na UTI e o vimos pelo vidro bem debilitado, mas depois disso ele começou a melhorar, recuperando aos poucos e se livrando da sedação. Agora já fala que está com saudades da gente e tudo mais”, comemorou.

Cada boletim uma angústia

Mariana relatou que há cada dia é uma angústia, com a família esperando ansiosamente pelo boletim médico atualizado. “É horrível. Você fica sem saber nada e espera o fim da tarde, por volta das 17h, quando eles ligam atualizando o estado de saúde. O dia se torna muito longo e você fica ansioso o tempo todo. Meu pai deu sorte de não pegar um hospital lotado e teve todo o atendimento, inclusive quando sofreu a parada. Tem muita gente pelo Brasil que poderia ser salva e está morrendo, de uma forma muito triste”, contou.

José Eudes mora em Maringá com a esposa e os dois filhos; Mariana e Gabriel, de 23 anos. A esposa dele chegou a ter sintomas de gripe, mas testou negativo para o coronavírus. O paciente, que já foi secretário de Meio Ambiente e Serviços Públicos de Maringá no começo dos anos 2000, permanece sob cuidados na UTI e ainda não tem previsão de alta. Agora, recebeu um ânimo a mais para o fim da recuperação.

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