Uma estudante de 17 anos divulgou, nas redes sociais, áudios que mostram a intimidade com que um diretor a tratava nas dependências de um colégio estadual do município de Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba. A adolescente afirma que gravou as conversas para comprovar que era vítima de assédio por parte do professor. Segundo ela, essa não foi a primeira vez que abordagens inapropriadas aconteceram entre os dois, e que após as denúncias, outras alunas também compartilharam histórias semelhantes.

Foto: Reprodução EBC

A Banda B teve acesso às gravações, em que o diretor pedia para fazer sexo com a menina. Confira a transcrição de um trecho da conversa:

Diretor: Fazer gostoso e você vai ver como é que se faz. Fazer ficar pensando assim: nossa, por que não foi antes?

As gravações tem cerca de 30 minutos de duração. Em outro momento, o diretor chega  a sugerir que os dois usassem camisinha, pois o homem teria medo de engravidá-la. Acompanhe mais alguns trechos das gravações:

Diretor: Só que o seguinte: vamos fazer tudo protegido. Eu também não gosto muito disso, sabia? Mas fazer o quê?
Aluna: Mas você tem medo? De quê?
Diretor: Claro, imagina se eu engravido você?
Diretor: E daí, outra coisa: fazer umas coisinhas mais gostosas também

Neste momento, a menina ri e tenta mudar de assunto.

Em entrevista exclusiva à Banda B, a adolescente afirmou que tentou denunciar a outros professores do colégio, mas ninguém acreditou no seu relato. “Como ele sempre fez isso durante muito tempo, eu tinha medo de ‘abrir a boca’ e ninguém acreditar. Eu já não aguentava mais. Contei a muitos professores e eles não acreditaram. Então fui aconselhada por uma advogada a gravar as conversas”, contou à reportagem. “Eu precisei dar corda para que ele falasse”, disse a jovem.

Revoltada, a estudante pede que o professor seja punido. “Eu quero que a justiça seja feita e que ele pague pelo que fez, não só comigo. Espero que esse pesadelo acabe. Sinto muita vergonha desse caso”, lamentou. “Eu recebo mensagens o dia todo de apoio, recebo críticas, de gente me julgando, assim como meninas que contam que ele teria feito a mesma coisa com elas, mas que não tinham coragem de denunciar”, revelou a adolescente.

A reportagem também entrar em contato com o diretor. Ligamos várias vezes a um celular que seria de posse do professor, mas ele não atendeu a nenhuma das ligações.

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte afirmou que “tanto a escola quanto o Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Norte, que atende Itaperuçu, tomaram todas as providências cabíveis ao caso. O departamento jurídico da Seed foi acionado e será aberta sindicância a fim de apurar os fatos”.