Complexo, o trânsito é formado pelos mais variados elementos. Há grandes veículos, como as caminhonetes e os caminhões, e há pequenos veículos, como as motocicletas e as bicicletas. Aqui também não podemos esquecer da única posição que é ocupada por todos: a do pedestre. Sabendo disso, a Prefeitura de Curitiba lançou em 2019 diversas ações que visam mostrar a importância de se colocar no lugar do outro e entender a necessidade da empatia para um trânsito melhor.

Ações buscam reforçar a importância de entender o lugar do outro (SMCS)

 

Chefe da unidade de educação da Escola Pública de Trânsito (EPTran) de Curitiba, Eduílio Sampaio, relata que o termo “empatia” não é recente, mas que vem sendo bastante utilizado para a melhoria de relacionamentos. “Essa famosa ideia de se colocar no lugar do outro é bastante simplista para definir o que é empatia, mas podemos usá-la para mostrar o que a gente busca no trânsito. Entender as dificuldades do outro é relativamente simples, já que as pessoas sabem dos desafios pelos quais o ciclista ou pedestre passa, mas precisamos transformar isso também em ações”, diz.

Partindo dessa ideia, então, a Prefeitura de Curitiba tem promovido uma série de medidas educativas que visam a empatia. É o caso do ‘Trânsito é Para Todos’, que faz com que motoristas, por exemplo, sintam o desafio de um deficiente visual ou físico tem no momento de atravessar uma rua.

Entre os objetivos das ações, está o de fazer com que as pessoas controlem a velocidade do veículo por entender que pessoas momentaneamente mais frágeis também necessitam daquele espaço.

Um segundo objetivo importante da prática da empatia é antecipar ações. Segundo o chefe da unidade de educação da EPTran, entender o lugar do outro faz exatamente isso. “Convívio nem sempre é simples, mas quando consigo entender a dificuldade do outro, mais consigo antecipar ações. Isso ajuda até mesmo a evitar acidentes. Entender a dificuldade do pedestre é pouco, eu preciso a partir disso, me mover para facilitar a vida dele”, explica.

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Psicólogo e especialista em trânsito, Hugo Nascimento Rezende, cita como exemplo o estacionamento de grandes empresas no contraponto da empatia. “Eu costumo dar esse exemplo que é cultural em empresas as pessoas que chegam primeiro, estacionar perto da porta, sendo que em alguns outros lugares do mundo já há um entendimento de parar mais distante, já que o colega pode chegar atrasado por algum motivo e pode ser ajudado”, comenta.

Mais vulnerável, o pedestre é centro das ações educativas (Foto: SMCS)

 

Já Sampaio lembra que o próprio Código de Trânsito Brasileiro (CTB) define que no §2º do Art. 29 que “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres” e reforça que nossas ações precisam facilitar a vida do outro. “É uma previsão legal das mais inteligentes. Quem dirige carro ou caminhão, passou por um curso de formação e por outros modais. Logo, tem mais condições de entender o que pode fazer, do que o inverso. Essa responsabilidade de quem tem mais formação de trânsito precisa ser exercitada no dia a dia, facilitando a vida de todos”, explica.

* A reportagem faz parte da campanha ‘Na Direção Certa’ Banda B, com apoio da Prefeitura de Curitiba. Na Rádio Banda B, está sendo exibida uma série de dicas para tornar o trânsito melhor e mais seguro.

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