(Foto: Divulgação)

 

Um tema importante para resgatar o sistema do transporte coletivo, que seria a implantação de uma integração tarifária temporal, quando é dada a possibilidade de o usuário pagar apenas uma passagem e ter acesso a integrações ilimitadas em todas as linhas de ônibus dentro de um determinado período de tempo (entre uma e duas horas), traria uma economia de até 55% no tempo de deslocamento. É o que mostra a arquiteta e urbanista Jaqueline Massucheto, mestre em Gestão Urbana pelo Programa de Pós-graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em pesquisa feita na universidade..

Hoje, o sistema do transporte coletivo de Curitiba conta com integração física, através de terminais e estações-tubo, o que não inclui outros pontos e todas as linhas, trazendo prejuízos ao usuário.  Uma mudança para uma integração temporal reduziria em média 25% tempo de deslocamento de ônibus, chegando a 55% em alguns casos. A pesquisa foi baseada em dados de viagens realizadas com transporte coletivo por ônibus publicados em estudo de origem-destino realizada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). O estudo é focado na escolha de rotas pelos usuários para mais de 5 mil viagens.

“Essa extensão da viagem é um deslocamento negativo, como uma punição ao usuário. Em uma integração temporal, eu me desloco para o meu destino, não parando em terminais de ônibus. Com a integração física, uso muitos mais linhas e passo por mais terminais”, explicou Jaqueline.

Como exemplo, o estudo pensou no deslocamento de uma pessoa que mora no bairro CIC (Regional CIC) e trabalha no bairro Sítio Cercado (Regional Bairro Novo). Caso este usuário opte em gastar apenas uma passagem, usando o sistema atual, ele poderá levar até 1h52min para concluir a sua viagem, e irá transitar em três diferentes terminais. Com a possibilidade de realizar uma única conexão fora da integração física, o tempo total dessa viagem cai para 51 minutos (55%), o que reduz ainda quase pela metade a quilometragem rodada, bem como emissões de gases de efeito estufa, o que também pode gerar economia, já que a tarifa se dá pelo número de usuários.

“Desde 2010 a tarifa é pelo definida pelo número de usuários. Então, caindo os usuários, fatalmente vai aumentar a tarifa”, afirmou a arquiteta, que alega que apenas uma expansão no sistema traria benefícios na integração física. “A integração exclusivamente física também tem seus custos e, para o sistema ser eficiente, tem que ser expandido com mais linhas e terminais. Então, é possível que, no fim das contas, saía mais caro do que uma integração temporal”, destacou.

No Brasil, esse sistema já é largamente utilizado em várias grandes cidades, como São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Campinas.

Tramitando na Câmara Municipal

Na Câmara Municipal de Curitiba existe um projeto em tramitação, do vereador Bruno Pessuti, que não foi votado na gestão passada da Casa e pode ser levado ao plenário nos próximos meses. Mas o vereador sabe que será difícil a aprovação. “A Prefeitura de Curitiba, infelizmente, com a justificativa de que traria um custo maior ao sistema, acaba não fazendo a implantação deste sistema”, destacou.

Para Pessuti, a inovação no transporte não são ônibus novos, mas um sistema efetivo e que dispute com aplicativos como UBER. “Inovação no transporte é uma forma de fazer com que o usuário se sinta mais confortável, especialmente com essa temporalidade do transporte”, disse.

De acordo com o vereador, deve-se pensar no beneficio à população. “O ônibus não vai ter nenhum custo a mais, porque ele vai continuar gastando o que o pneu gira no asfalto. O passageiro vai se adequar a forma como os ônibus circulam hoje e terão muito mais possibilidades de integração, já que paga uma tarifa cara”, destacou.

Outro lado

A Prefeitura de Curitiba respondeu por meio de nota sobre o estudo:

Passageiros do transporte coletivo de Curitiba têm diferentes tipos de integração temporal para trocar de linha de ônibus ou de estação-tubo sem precisar pagar nova tarifa. Por ano, são mais de 600 mil usos nas integrações temporais das linhas urbanas da capital. Se contar o acesso às Ruas da Cidadania, esse atendimento sobe para quase um milhão.

A proposta das integrações temporais no transporte é oferecer alternativa aos passageiros que ainda não têm acesso à integração no sistema. No transporte da capital, uma pessoa embarca num ponto e pode percorrer todos os 21 terminais e as mais de 300 estações-tubo pagando apenas uma tarifa. Isso ocorre em 92% da rede de transporte da cidade. A integração temporal busca complementar gradativamente essa rede

Para ampliar a rede, a Urbs está estudando uma nova integração temporal das linhas convencionais que passam pela Cruz do Pilarzinho como o Interbairros 2. Esta integração necessita de adequações viárias e nos pontos de paradas da região.

O único critério para usar a integração temporal é ter o cartão-transporte da Urbs, que permite também o acesso às Ruas da Cidadania, onde o passageiro economiza uma tarifa no retorno ao ônibus. Veja quais são os tipos de integrações possíveis:

Estação-linha: Esse tipo de integração é feita na estação-tubo Santa Quitéria, onde os passageiros da linha Vila Velha/Buriti podem acessar o Inter 2 sem pagar nova tarifa. Para entrar na estação-tubo, a validação do cartão-transporte é automática.

No retorno, o passageiro deverá passar o cartão no validador da estação-tubo e seguir para o ponto do VilaVelha/Buriti. O tempo para essa integração é de uma hora.

Estação-estação: Cinco estações da Linha Verde são atendidas com essa integração temporal, nos dois sentidos: São Pedro, Marechal Floriano, Fanny, Santa Bernadethe e Xaxim.

Os passageiros de qualquer um dos alimentadores que param nessas estações e queiram trocar de rota, podem atravessar a pista pela faixa de pedestre e entrar na estação do outro sentido sem pagar nova tarifa. O tempo para essa integração é de cinco minutos, passando o cartão-transporte pelo validador de integração instalado nas estações.

Linha-linha: A linha Jardim do Arroio, integrada com as linhas São Benedito e Santa Cândida/Santa Felicidade, atende principalmente moradores do Residencial Pinheiros, que podem se deslocar tanto para o terminal da Barreirinha como para o do Santa Cândida.

A integração ocorre nos pontos de parada em comum destas linhas, na Rua Theodoro Makiolka. Os passageiros têm 90 minutos para fazer a integração, desde o momento em que passam o cartão-transporte nos validadores (ônibus ou terminal Santa Cândida).

O mesmo tipo de integração acontece entre a linha Raposo Tavares e Jardim Ipê. Moradores da região da rua Raposo Tavares, no bairro Lamenha Pequena, chegarem ao Terminal Santa Felicidade sem pagar mais uma tarifa.

Linha-sistema: Passageiros do Interbairros I podem usar a mesma passagem para andar em qualquer outra linha de ônibus em um período de duas horas. Diferentemente das demais integrações temporais possíveis na cidade, que são feitas a partir de pontos determinados, a linha Interbairros I permite integração em qualquer ponto do sistema, seja ônibus na rua, estações-tubo ou terminais.

Para usar a integração basta ter o cartão-transporte da Urbs. Ao passar o cartão no validador do Interbairros I, o passageiro tem duas horas para passar o mesmo cartão em qualquer outro validador e sem pagar nova passagem. O mesmo vale para quem está em qualquer outro ônibus e queira pegar o Interbairros I, o que pode ser feito em qualquer parada, sem pagar nova passagem, desde que valide novamente o cartão antes do prazo de duas horas.

Ruas da Cidadania: A integração do transporte com as Ruas da Cidadania funciona nos terminais Pinheirinho, Carmo, Santa Felicidade, Fazendinha, Capão Raso (Shopping Popular), Capão da Imbuia, Tatuquara (futuro terminal) e agora também na Rua da Cidadania Boa Vista, pela estação-tubo Fernando de Noronha.

O tempo para essa integração é de duas horas.