Esses dias um amigo alviverde me perguntou quem era a oposição no Coritiba. Pensei, me esforcei para lembrar alguém que é contra a atual diretoria. Nenhum nome me veio  a cabeça. Isso explica muita coisa. Vilson Ribeiro de Andrade virou uma unanimidade tão grande no Alto da Glória que ninguém se atreve a contestar publicamente suas atitudes a frente do maior clube paranaense.

E na falta de uma oposição atuante, contestadora e propositiva, nosso presidente decide sozinho o futuro do Coxa. Quando acerta é coberto por elogios. Mas quando erra quase não sofre represálias. Um silêncio sepulcral impera, como se fosse proibido contestar suas atitudes e criticar seus erros.

Isso não é bom para o Coritiba. Um clube de futebol vitorioso precisa ser antes de tudo democrático. Não pode ter seu destino preso somente as convicções de uma pessoa. Necessita sim de uma oposição forte, saudável, participativa.

E já que não aparece ninguém com coragem suficiente para enfrentar nosso presidente, farei eu mesmo esse serviço pesado. Carregarei esse fardo pelo bem do clube que amo.

A partir de hoje sou oposição a Vilson Ribeiro de Andrade. E a todos os próximos presidentes também. Serei oposição a todos eles. Sempre que existir um presidente, serei contra. Desta forma toda vez que um novo dirigente assumir, saberá que existe uma oposição atuante, chata, implicante.

Quero deixar bem claro que não faço parte de nenhum grupo político do Coritiba. E não farei nunca mais. Estou nessa luta sozinho.  Também não tenho nenhuma pretensão política dentro do clube. Não vou ser candidato a nada. Nunca fui e nem pretendo ser. Já me convidaram várias vezes para ser conselheiro. Recusei todos os convites. Não quero fazer parte de um grupo que me aceite como membro antes mesmo de eu ter me decidido a fazer parte dele.

Tampouco pretendo trabalhar no Coxa. Esse sonho já realizei três vezes. E na última quase fui crucificado e queimado vivo como bode expiatório. Aprendi a lição. Coritiba agora só como torcedor e sócio. E corneta, afinal de contas um bom opositor é também um grande corneta.

É lógico que estarei sempre torcendo pelo sucesso do Coritiba. Jamais vou torcer contra meu time. Mas torcerei pela instituição, jamais pelos homens. Pois eles passam mas o clube ficará vivo para sempre.

E quando os títulos chegarem, vou parabenizar os responsáveis pelas vitórias e comemorar as conquistas como bom torcedor que sou. Mas manterei minha corneta “afiada” pronta para soar de forma estridente. Pois o “sossego” no futebol funciona como no casamento. Dura até a primeira pisada na bola.

Você deve estar se perguntando, “mas e o que você vai conseguir com isso”?

Muito pouca coisa, eu admito. Mesmo assim vou fazer a minha parte.

Acredito que um clube do tamanho do Coritiba só funciona na base “da pressão”. E eu vou pressionar, mesmo que meus gritos ecoem sozinhos nas arquibancadas do Couto Pereira vazio. A partir de hoje serei a pedra no sapato dos dirigentes. A mosca na sopa. O caruncho no feijão. Nunca vou os deixar em paz.  Quando pisarem na bola, vou atacá-los friamente como um mosquito “porvinha”, que a cada picada deixa suas vítimas irritadas com ele por vários dias. Eles não terão vida fácil comigo.

E se você pretende se juntar ao meu lado nessa luta, desista. Não conseguirei confiar em alguém louco o suficiente para fazer isso. Marcharei sozinho. Ao meu lado apenas Deus, minha sombra e minha corneta.

Que venha 2014.