Setentão, mas ainda enxuto. Quem convive ou conviveu com Sicupira, como eu, embora por um período curto, entende que quando digo enxuto, me refiro à cabeça e ao espírito desta criatura especial.

Na verdade, assim como todos que gostam e viveram o futebol dos anos 60 e 70, Sicupira já era nome pra ouvir e jamais esquecer. Conheci ele neste período, como jogador, nosso principal adversário durante anos, nos castigando com seu talento, mesmo quando não vestia a camisa do Atlético ( me recuso em escrever Atlético com th) , quando disputou pelo Corinthians, um brasileiro, acho que na época ainda denominado “ Roberto Gomes Pedrosa.

Sicupira foi homenageado pelos seus 75 anos (Geraldo Bubniak/AGB)

Coritiba x Corinthians, um a zero pro time paulista, adivinhe com gol de quem? Sicupira não só fez o gol da vitória como fez uma partida de gala naquela tarde de domingo. Ainda lembro de outros tantos gols marcados contra nós, vestindo a camisa rubro negra, mas este, pelo Corinthians me marcou muito. É que aquele Coritiba e Corinthians, foi muito mais um atlética disfarçado. Tanto que na arquibancada, o estádio foi dividido entre coxas e atleticanos.

O gol acabou sendo comemorado por uma massa de atleticanos que queria ver seu ídolo, naquela ocasião emprestado ao Timão. Sicupa não decepcionou.

Até hoje guardo aquela imagem no gol de entrada do Couto Pereira, na Amâncio Moro, na época ainda chamado de Belfort Duarte, se não me engano.

Mais tarde acabei dividindo transmissões, viagens e muito trabalho com Sicupira. Foi em 93 na OM Brasil, que depois passou a se chamar CNT. Campeonato Paranaense e Copa do Brasil eram os principais produtos do departamento de esporte da emissora, embora eu preferisse as outras transmissões, como basquete, vôlei e tênis.

Era uma relação profissional, mas me peguei muitas vezes olhando e admirando o ídolo que o futebol me deu de presente, mesmo como adversário anos antes.

Trabalhar com Sicupira foi um enorme aprendizado. Ainda sempre muito nervoso nas transmissões ao vivo, em partidas que eu sabia que o Brasil inteiro assistia, estar com Sicupira e entender sua leitura do futebol, era tranquilizador. Aliás, além de Sicupira, outro grande ícone que o esporte me deu de presente foi Lombardi Jr. Outro professor que a vida me colocou no caminho. Como podem ver, fui um privilegiado.

Sicupira, assim como Krüger, são e foram respeitados por adversários. Caso raro no futebol. Porque construíram uma vida de respeito pelo futebol e seus torcedores, seja de que clube for.

O futebol do Paraná tem dívida com estes nomes. Não pagou a Krüger, mas deve pagar a Sicupira. O respeito e o tanto que os dois fizeram, precisa ir além de dar nome a troféu.

O que Sicupira jogou fora daqui com a camisa do Atlético, como representante do melhor que o futebol tinha na época, não tem preço. A dívida dos dirigentes do Futebol Paranaense, precisa no mínimo se aproximar de incentivar e cuidar de talentos como Sicupura foi. Foi não, ainda é, porque hoje é craque do microfone. Ainda joga um bolão, com suas opiniões em transmissões pela Bandab.

Parabéns pelos seus 75, meu caro! Vida longa com muita saúde pela frente.