Estar ou ir a algum lugar, seria antes da temperatura baixar ainda mais. Nos encontramos antes das seis da tarde, quando a temperatura ainda está positiva.

Nos telejornais, não se fala em outra coisa. Chamada de link é sempre de algum lugar onde a temperatura é negativa ou se aproxima disso. Cria-se a expectativa de neve, mas é possível se contentar com uma geada.

“ De Palmas, a cidade mais fria do estado, fala Robson Januzi”. Não importa mais a hora, geografia, localização no mapa, porque a primeira pergunta é sobre a temperatura. “Quantos graus aí agora, Robson”?

Foto: SMCS

Pena, a previsão dá mais um drible na produção. A menor temperatura é registrada perto dali, em Clevelândia. O relógio até importa, mas apenas para dizer a que horas foi registrada a temperatura mais baixa. O termômetro é a vedete dos noticiários. Não perde nem para o noticiário policial, preferência nacional na última década.

O Brasil quer saber como o pessoal do sul se vira com tanto frio. O noticiário explora o tema. Os mais curiosos e corajosos querem ver de perto. Uns entram no espírito, outros não, voltam rapidinho para casa.

Minha cidade fria, com cara da Curitiba velha de guerra da minha infância, quando ia para escola quebrando gelo. De uma poça d’água à formação de camadas de gelo. Isso também é a cara de Curitiba, calçadas esburacadas, que no inverno viram formas de congelador.

Frio não tem graça, dói no corpo, castiga a pele. Desespera quem não tem um teto. Mas tem hora e época. Demorou, fazia tempo que a cidade não tinha um frio assim, de trocar relógio por termômetro.

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.