– É que o nosso DEUS é o mesmo! Esta foi a resposta dele para a amiga que jurava por Deus que ele era católico. Foi numa conversa casual, destas sem muito rumo. Ali, ele foi obrigado a dizer que é espírita.

Durante anos ela mandou convites para missas, vigílias, encontros, novenas especiais e correntes de oração e a ele. Nada de mais, como disse – “ O nosso Deus é o mesmo”.

Deram risadas, mas para ela ficou o sentimento de desconforto. Era mais difícil uma católica aceitar um espírita do que um espírita aceitar um católico, por mais que o Deus deles fosse o mesmo. Ele percebeu a situação e habilidosamente começou a trocar de assunto. Depois de uns cinco minutos com a conversa já girando em torno da profissão deles, a única grande afinidade entre os dois, embora tivessem o mesmo Deus, ela ainda intrigada, e demonstrando isso, acaba perguntando:

– Por que só agora você me diz que é espírita?

– Porque você nunca me perguntou, diz ele.

– Mas estava tão na cara assim e só eu não percebi? ela diz com a voz um pouco alterada.

– Fiquei sem jeito de dizer. Percebi que você não sabia, mas preferi deixar assim. Também não acho que isso é o fim do mundo! Como disse, nosso Deus é o mesmo! falou ele.

– Não acho isso, não! Disse ela, raivosa.

– Se fosse o mesmo Deus, não teria criado esta situação toda. Eu não estaria me sentindo a idiota como me sinto agora.

– Você não é idiota, diz ele. – Você só está se sentindo traída, enganada, mas também não é isso. Como disse não é o fim do mundo. Isso não importa. Quando falo que “nosso Deus é o mesmo, quero dizer que temos boa índole queremos o bem dos outros, procuramos sempre fazer o melhor. Entende? Aliás, acho que a bondade é uma das pontes que liga a Deus. Isso nós temos em comum e é o caminho que nos une em torno dele. Não importa se você é católica e eu espírita. Ou você acha que Deus, tem religião? Que só os católicos estão certos e os espíritas e as outras religiões estão erradas? Importa a religiosidade e não a religião, disse ele em tom conciliador.

Ela mais calma, depois de ouvir o sermão, aos poucos levanta a cabeça, pensa, suspira fundo e com a voz um pouco mais mansa, diz com ar submisso

– Não é isso que me ensinaram.

Depois de algum tempo., depois de muitos anos frequentando igreja, um centro espírita, uma casa de umbanda ou um templo evangélico, é preciso que a gente aprenda a andar sozinho, independente.

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.