Foto Arquivo pessoal

As flores do jardim de dona Luiza não nascem assim, como em outros lugares. O verde parece mais verde, a rosa é mais rosa. A rosa cor de rosa, fica mais rosa porque a mão que a plantou é uma extensão do desejo enorme de vê- la brotar.

Dona Luiza vivia a vida assim. Virava o mundo de ponta cabeça quando queria plantar.

Quando decidiu fazer o roseiral, foi justamente para mostrar ao último olho gordo remanescente da vizinhança que na sua mão era diferente. Disseram a ela que não era bem assim, que o plantio de rosa é uma coisa mais complicada, tem técnica, que rosa não pega em qualquer lugar. Terra que dona Luiza colocava a mão, nascia o que ela queria.

Ela nem sabia o que era plantar e não ver o resultado do serviço, meses depois. Esta possibilidade não existia para ela.
A rosa cor de rosa, que parece flambada com caramelo e com pontos de luz nas pétalas, nasceram assim.

Foto Arquivo pessoal

A outra flores do jardim de dona Luiza, a mais velhas, as hortências, preenchem o canteiro, não menos importante. As rosas estão no centro, compondo a cena principal.

O jardim de dona Luiza brinca de cores a cada temporada. Ela sabe quando e como é a hora das frézias, hibiscos, funcionárias … o olho gordo das vizinhas ainda vai perder muito para as mãos e o desejo que brota no coração de dona Luiza.

Ela só não gosta do futebol dos meninos perto de suas flores. A grama é para ser pisada, sim, mas as flores devem ser admiradas. Pode tocar, pegar, mas se quiser uma muda, primeiro peça, não pegue. Sua mão pode não ter os mesmos poderes que as dela.