Tive três experiências no futebol. Como garoto apaixonado que sempre fui, como editor de esporte/repórter e como blogueiro de site de torcida.

A mais confortável é a primeira, do garoto apaixonado, que levei com o mesmo sentimento até a vida adulta, mais ou menos até meus 35 anos, quando me tornei editor e repórter de esporte e também de futebol. Faço esta separação porque considero o futebol uma coisa e esporte outra, explico melhor mais adiante.

A função de profissional do jornalismo, me mostrou o encanto dos bastidores, mas também seus problemas com muitas desilusões e muitas decepções, até que na década de 90, optei por um breve afastamento, motivado por conta de algumas histórias que preferia não ter visto.

A função de blogueiro de site de torcida, é uma mistura dos dois primeiros, mas com um ingrediente a mais: a convivência e a necessidade de se expor a uma meia dúzia ou uma dúzia de fanáticos doentes, capazes de atitudes absurdas, porque o conceito de fanatismo pó si só já é um sentimento perigoso – para o fanático e para quem se mete a escrever ou falar sobre seu time ou agremiação.

Imagem Pixabay

Acho que me livrei de todas elas, ou quase. Da primeira e da última, torcedor apaixonado e blogueiro, tenho certeza que sim. Do jornalismo acho que não. É minha profissão e gosto de escrever sobre o tema.

Digo sempre que o futebol é um grande negócio, envolve muito dinheiro. O esporte está no conceito das modalidades esportivas, quase todas vistas em Olimpíadas, com dezenas de modalidades. O esporte que é levado a sério por quem faz a opção de viver dele. Que exige disciplina, que presta contas aos seus patrocinadores.

Já com o futebol não. Num mega evento, só dele, a Copa do Mundo, é a passarela da cultura do atleta de futebol. Parece ser pré requisito ter a ginga, a manha que cria o “boleiro”. No campo e fora dele, algumas figuras estragam o que até bem pouco tempo foi de fato um espetáculo.

É mais fácil achar atletas descompromissados com a saúde física dentro do futebol do que em outras modalidades, por exemplo. É mais fácil ouvir falar de milhões de euros ou dólares no futebol do que em outros esportes.

Enfim, estou livre do futebol como torcedor onde ate há duas semanas, um blogue era meu espaço e também de amigos, torcedores e de uma dúzia de fanáticos que orbitavam o espaço.

Estou liberado para falar dos outros clubes, de esportes também, com a isenção que o jornalismo exige, agora não mais como torcedor.

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.