Não sei pra vocês, mas máscara virou peça de vestuário. São quatro, que trato com o maior carinho. Não consigo usar duas vezes, sem antes lavar. Como também não empresto, coisa que, acreditem, já vi por aí.
Foi hoje na entrada de uma loja simples, no litoral do Paraná. Em cima de uma banqueta, logo na entrada da loja, estava o álcool em gel e uma máscara.

Entrei e enquanto passava o álcool na mão, fiquei imaginando quem teria sido o desatento que esqueceu aquela máscara ali. Só me dei conta quando avisei ao rapaz do balcão sobre a máscara esquecida.

Imagem: Pixabay.com

Fui corrigido: “Não, aquela máscara é nossa”, disse ele. “Está ali para alguém que queira entrar e não tenha a sua”.

– E isso já aconteceu? Perguntei assustado.

– Ainda não. Está ali desde ontem, quando tivemos um problema com uma senhora que foi impedida de entrar na loja porque estava sem máscara.

– Mas assim é pior ainda – digo assustado.

– É, mas a prefeitura multa a gente se pegar aqui dentro alguém sem a máscara – retrucou ele ainda se defendendo.

Faço um discurso esclarecedor ao pobre rapaz que parece entender finalmente o perigo que aquilo pode representar. Imediatamente ele retira a máscara de cima do banquinho e a guarda numa gaveta. Faço nova advertência com a intenção de deixa-lo preocupado. Para eu sair dali com a certeza que não voltará com a máscara para o banquinho assim que eu me for.

Ainda ali dentro, e até agora, lembro das imagens dos telejornais com as aglomerações em barzinhos de Curitiba, de gente em excesso nos ônibus, nas festas promovidas no fim de semana, nas reuniões familiares. Tudo contra o que manda o bom senso, me dando a impressão que a grande maioria ainda não entendeu a gravidade do problema.

Como faz falta um governo engajado e comprometido com a saúde de seu povo, oferecendo o mínimo de informação. Pelo contrário, desinforma, esconde informação, quando poderia usar a mídia como aliada, promovendo campanhas esclarecedoras.

Ainda há gente circulando por aí usando máscara só porque há um decreto que o obriga a isso. Ainda é possível ver máscaras sendo arrancadas do bolso, junto com dinheiro, chaveiro, sem o cuidado que precisa ser tratada.

Mesmo assim, com a ajuda da imprensa, alguns aprenderam a necessidade da assepsia.

Não foi pra fazer graça, para embelezar a programação, que as tvs produzem vídeos animados, orientando sobre como preservar a vida de todos nós, que há quatro meses se transformou em um inferno.

 


*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário. Sempre com uma narração leve e didática, às vezes romanceada, conta histórias da vida, num cotidiano de todos, mas que também servem de espelho. Coisas da vida, do nosso dia a dia, que encontramos numa interpretação semanal, vista com olhos de quem vê a vida por um viés que às vezes passa batido. Um bom momento para aqui no Blog, ver uma vida contada em textos.