O instante seguinte é o quê? Um segundo depois? A fração seguinte? Um minuto adiante ?

E o “espere um pouco”! Esperar um pouco é quanto? Um segundo? Cinco? Uma hora? Um dia?

Acho que tudo vai do entendimento de quem diz e da paciência de quem ouve. Um minuto pra você pode parecer uma eternidade para o outro.

A necessidade, a urgência e até a ansiedade é que fazem o tempo. Não vai adiantar me pedir para esperar mais um minutinho, se preciso agora do que estou te pedindo. Me diga exatamente quantos minutos, horas, dias preciso esperar para ter o que quero, mas não me diga que em minutinhos, ou em um instante tudo estará pronto.

Posso arrumar alternativas ou até aprender a controlar a ansiedade. Um instante nunca foi um instante, um minutinho também nunca durou um minutinho, nem dois, nem três… vai depender da ansiedade e da necessidade. Os dois são muito importantes. A ansiedade até dá pra controlar, mas a necessidade, não. Experimenta a necessidade de usar um banheiro com muita urgência e por azar ele está ocupado. Ai, o cara lá de dentro grita,” um instante… já estou saindo”!!! Não adianta, a necessidade é que vai mandar. Liga chamando o táxi ou o Uber com horário marcado numa reunião importante e a moça do tele atendimento ou o aplicativo te diz que em minutinhos ele estará na sua porta. Esta conversa de minutinhos e instantinhos estão tão desacreditados que perderam completamente o que de fato significam. Sai da boca pra fora, naturalmente, assim como se respira.

Algumas vezes têm até sentido contrário. Se alguém te pede um minutinho, pode ter certeza que vai demorar além do normal.

Mas hoje precisei rever este conceito. Me pediram: “um minutinho, senhor, o dr. já vai lhe atender”. Fiz aquela cara de quem sabe que vai esperar. A minha cara caiu! Não é que fui atendido antes de um minuto.
Perdi de vez o respeito pelo “um instante só” ou pelo “um minutinho, senhor “.

 

*Sérgio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.