Hoje fui impedido de entrar no mercado porque estava sem máscara.

– Não tenho, amigo. Vocês vendem?

– Sim – disse o rapaz.

Dei o primeiro passo e comecei a entrar. Ele me barrou novamente.

– Já disse, o senhor não pode entrar sem máscara.

– Eu entendi. Vou comprar, tô indo direto na gôndola onde elas estão e já coloco.

– Mas o senhor não pode entrar sem.

– Você pode pegar uma pra mim? Visto aqui fora e te pago na saída. Digo isso já bastante irritado com o exagero do cumprimento do que em alguns lugares passou a ser obrigatório.

Com todo respeito ao que determina um decreto municipal, ainda tento negociar.

– Amigo você pode chamar seu superior?

– Não posso sair daqui, – disse ele.

Olho para dentro do mercado e vejo uma porção de gente sem máscara. Mostro a cena pra ele que me diz:

– Pois é, estes entraram enquanto fui chamar meu superior.

Dei meia volta e fui embora. A cena me pareceu mais complicada do que se desenhou. Ali tinha muito mais que uma teimosia, burrice ou gente sem respeito pelos outros.

No caminho de volta pra casa consegui fazer uma analogia com o país, com o Brasil de agora.

Que zona tá tudo isso, heim!?

 

 

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário. Sempre com uma narração leve e didática, às vezes romanceada, conta histórias da vida, num cotidiano de todos, mas que também servem de espelho. Coisas da vida, do nosso dia a dia, que encontramos numa interpretação semanal, vista com olhos de quem vê a vida por um viés que às vezes passa batido. Um bom momento para aqui no Blog, ver uma vida contada em textos.