A minha, a tua, cada uma destas nossas crianças ganhou um nome quando nasceu. Muitos de nós pensaram cuidadosamente nisso, antes de escolher um.

Justamente para que a criança não pague “mico” lá na frente, com um daqueles nomes que a gente precisa perguntar duas vezes, achando que não ouviu direito.

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A minha se chama Helena. Não é a única criança da casa. Aqui todos temos um pouco disso, ou pelo menos uma recaída de vez em quando. Sim, porque estamos sempre acompanhados de muitas delas e são elas que nos inspiram. Falo do espírito infantil que perdemos depois de algum tempo, quando a vida começa a cobrar posturas e posições. Esta talvez seja a minha maior dificuldade para entender a vida.

Uns assumem isso de um jeito e rapidinho esquecem a criança que carregaram durante anos. Outros escorregam de vez em quando. Prefiro as que escorregam.

Gostaria de plastificar a minha Helena neste espírito curioso, inteligente, bem humorado, brabo, mas de uma doçura que só ela tem.

Esta mistura cria imprevisibilidade 24 horas. Parece uma usina de processamento de informações. Quando está diante de uma nova informação, muda o olhar, parece que se fecha numa redoma sendo possível ouvir o cérebro trabalhando.

Uma cabecinha assim sem fuligem, sem poluição, tem as cores do seu coração, como ela diz; rosa, azul, laranja e verde. E, com coração assim, tão colorido, precisa ser cuidado. As vezes acho que tenho mesmo um cristal em fase de lapidação. A frase me parece mesmo mais apropriada, embora seja muito comum. Nos damos bem assim e temos como regra, a verdade, o respeito.

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de TV, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário. Sempre com uma narração leve e didática, às vezes romanceada, conta histórias da vida, num cotidiano de todos, mas que também servem de espelho. Coisas da vida, do nosso dia a dia, que encontramos numa interpretação semanal, vista com olhos de quem vê a vida por um viés que às vezes passa batido. Um bom momento para aqui no Blog, ver uma vida contada em textos.