(Foto: Reprodução/RPC)

Demorou, mas parece que a ficha caiu. A imprensa esportiva ainda consegue fazer uma leitura da periferia de uma partida de futebol. Ou seja,  falar, enaltecer fatos que acontecem além das quatro linhas.

Com apenas um mau exemplo dado no confronto que fizeram vândalos – que se apresentam como torcedores de Coritiba e  Paraná – apesar da torcida única, quebraram o pau pelas ruas da cidade.

Mas outros dois fatos acabaram ganhando mais destaque que a briga e até mais que a própria partida. Dois bons exemplos que merecem registro.

A do torcedor do Paraná que foi acolhido pela organizada do Coritiba e a família que se revezou num guindaste para assistir a partida. Convenhamos, duas cenas bastante  incomuns no futebol, pelo menos por estas bandas de cá.

Se nem Coritiba e  Paraná já não atraem  mais a imprensa nacional – por razões óbvias – as torcidas ainda consegue algum destaque, como nos dois casos que chamaram atenção no Paratiba de domingo passado.

Dois fatos que no minimo deveriam chamar atenção dos dirigentes que estão no comando dos clubes e até da Federação de Futebol. Mesmo que a decisão de torcida única não tenha partido do Coritiba, ainda é um tema para ser muito bem analisado e repensado.

Outra questão é o valor dos ingressos. Fato que provocou a história da família que assistiu o clássico num guindaste, gastando apenas o dinheiro do estacionamento para abrigar o caminhão que serviu de apoio.

O proprietário se declarou torcedor Coxa, mas impossibilitado de levar a família ao estádio,  por conta do valor do preço dos ingressos. O guindaste foi a solução encontrada.

Se servir  como exemplo, logo teremos vários destes caminhões estacionados no entorno dos estádios da cidafde, em dia de jogo. Fica a dica.

Meio sem querer, este Paratiba também pode  servir como idéia da tal área mista, hoje muito usada e até muito comum nas arquibancadas de muitos estádios pelo país.  Quem sabe,  assim não tenhamos um começo de exercício de educação,  que muitos torcedores ainda não conseguem ter.

A história do guindaste me lembrou a década de 60, quando assisti algumas partidas pendurado numa árvore que ficava bem na esquina da Amâncio Moro com a Mauá. O segredo era chegar cedo para garantir um bom lugar. Era meio desajeitado, bem desconfortável, mas dali assisti grandes partidas. Havia apenas o muro do Belfort Duarte como barreira.

Hoje, pedem um preço muito alto pela qualidade do futebol que nos oferecem.

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.