Na década de 50, o futebol brasileiro teve craques no gramado e os craques da caneta e do microfone, que não jogavam, mas falavam dele, do futebol. Os que traduziam o que era feito em campo, de forma única.

Foram dois times, que contaram o verdadeiro surgimento do futebol brasileiro. Não é exagero dizer que Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Mário Filho, Pelé e Garrincha, deram um caminho ao futebol no país. Nelson Rodrigues, soube traduzir o que Pelé e Garrincha fizeram nos anos 50 e 60. Armando, Nelson e Mário Filho, foram nossos únicos cronistas. Nelson deu nome a Pelé. Foi ele que batizou o negão de Rei. Armando romanceou, Mário Filho era genial o suficiente para dar nome ao Maracanã.

As crônicas de Nelson Rodrigues tratavam o futebol com uma visão além da arquibancada e do que viam os narradores e comentaristas comuns.

 

A sequência de crônicas publicadas por Nelson, estão num trabalho organizado por Rui Castro, em 1993 no livro “À Sombra das Chuteiras Imortais”.

Das 70 crônicas, 31 foram publicadas na Revista Manchete Esportiva. Todas falam de um futebol mais alegre, mais feliz.

Releio em estado de graça este livro. Recomendo a quem gosta de futebol. Quem não viveu esta época, assim como eu, pode acreditar, aquilo era futebol, o de hoje deveria ser chamado de outra coisa.

Fiquei pensando se Nelson Rodrigues ainda estivesse vivo- o que escreveria sobre o futebol de hoje?

 

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.