Foi num trabalho em Chapecó, extremo oeste de Santa Catarina, que acabei conhecendo também Xanxerê e Xaxim.

De Xanxerê não me esqueço da primeira página do principal jornal da cidade que li no hotel, na primeira manhã na cidade: Carroça desgovernada atinge comércio central, era o destaque.

O condutor da carroça perdeu o controle do cavalo e só o bicho deve saber explicar porque, foi parar na porta de uma loja.

A matéria ganhou destaque com foto, com o cavalo em close – cara de culpa- impedido de sair dali porque a roda da carroça se enroscou na porta da loja. Além de render a primeira página no principal jornal de Xanxerê, era a conversa entre os funcionários do hotel.

Imagem ilustrativa com outro caso, também em 2017, também em Xanxerê: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê

 

De Chapecó lembro de uma coisa muito legal. Talvez seja a única cidade brasileira onde o pedestre é prioridade. Pra gente que vive fugindo de atropelamentos, correndo para atravessar a ruas dos nossos grandes centros, é até engraçado. Esteja onde você estiver, no centro ou no bairro, não corra para atravessar a rua. O carro que vem em sua direção vai parar pra você. É tudo bem sinalizado, e onde não tem sinalização, os carros até já diminuem a velocidade porque sabem que a prioridade é do pedestre.

Chapecó tem vários enormes cestos para coleta de lixo espalhados pela cidade. Um verde e outro amarelo, lado a lado. Isso ajuda a manter a cidade limpa.

Conheço bem o interior do Paraná. E não há nada igual. Como nada é igual ao interior paulista que em nada se parece nem com Rondônia e nem Minas, por onde também já andei.

Nesta andança pelo país, descubro que o interior de Santa Catarina também nada tem a ver com tudo que já vi.

A gente vive mesmo num país muito grande que permite este tipo de coisas. Vários países, costumes, culturas dentro de um só.

Agora estou de volta ao interior do Paraná. Fazia tempo que não vinha pra cá. Retomo uma caminhada que vai durar perto de dois meses. Lembrando que antes passei seis meses no litoral. Vida de cigano.

Parecendo a roda da carroça enroscada na porta da loja e com a mesma cara do cavalo que não sabe muito bem explicar como foi parar ali.

 

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de TV, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário. Sempre com uma narração leve e didática, às vezes romanceada, conta histórias da vida, num cotidiano de todos, mas que também servem de espelho. Coisas da vida, do nosso dia a dia, que encontramos numa interpretação semanal, vista com olhos de quem vê a vida por um viés que às vezes passa batido. Um bom momento para aqui no Blog, ver uma vida contada em textos.