O rapaz simpático contratado pelo restaurante Confraria, na Marechal Deodoro, faz uma confusão na cabeça dos clientes, quando sai do feijão com arroz e acaba caindo na sopa de letrinhas.

Munido de caixa de som e um potente microfone, tudo amarrado pelo corpo, com voz de locutor de FM, brinca com as palavras, às vezes exagerando e assim, uma vez ou outra se perde na comunicação.

Das 11 da manhã até quando houver comida no buffet, vai anunciando as delícias do “Confraria”, no almoço dos passantes do centro de Curitiba, na Marechal Deodoro, esquina com Travessa da Lapa.

Imagem ilustrativa

A salada oferecida lá dentro, é também farta aqui fora, que acaba colocando um ruído na comunicação, quando não é possível entender toda a mensagem passada. Começa com a placa lá fora que anuncia Confraria restaurante, mas que na narração criativa do locutor, vira Compraria.

“ Dona Maria, venha almoçar no compraria”, diz ele. “Cuidado com o bi-articulado”, seu Dado” ou se você é o Di Maria, vem pro Compraria, manda o descontraído garoto propaganda do Confraria. Diz isso olho no olho, apontando individualizando, personalizando a propaganda.

No contrato acertado entre ele e o proprietário do Confraria, provavelmente o nome do restaurante e outros detalhes acabaram não ficando claros, imagino.

Claro que os outros problemas podem ser creditados na conta destes estrangeirismos das palavras.

Bufê por exemplo, um estrangeirismo com origem na palavra francesa buffet, e que deveria ter ficado claro na contratação do serviço do rapaz.

Em alguns destes estrangeirismos, por exemplo, usamos a palavra na sua forma original como mouse, delivery, shopping etc. Em outros casos utilizamos a forma aportuguesada da palavra. E aí acabam de confundir de vez a cabeça do garoto propaganda do Confraria.

No caso em questão, a palavra buffet foi aportuguesada para bufê, com base na sua pronúncia e nas regras da língua portuguesa, mas para o rapaz que faz propaganda para o Confraria, não.

Buffet, bufê ou bife, são tudo a mesma coisa, ganham o mesmo sentido, deixando uma confusão na informação, quando ele diz para dona Maria que o “bife é livre no Confraria”.

“Bife livre só mesmo no ConPraria” – diz ele.

Bife livre? Como assim? Pesa a comida, mas sem o bife… que é livre?

A graça de alguns destes restaurantes do centro de Curitiba, está no que tem do lado de fora, com seus garotos -propaganda. Cada um no seu estilo inconfundível, mas quase todos ainda precisando obedecer os padrões do rádio tradicional, com vozeirão e alguma graça na comunicação. Mas sempre com simpatia ao se dirigir ao pretenso cliente. Informalidade, muita informalidade parece ser a regra.

Já fui ao Confraria. A comida é honesta. Vale quanto pesa, com bife ou buffet livre, no Compraria, no Confraria, como quiser, mas seu locutor é melhor.

 

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.