A vida não tá fácil pra você? Para ele também não.

” Os bichos aparecem por aqui à noite, mas a gente se entende. Tem ratazana, gamba, uns outros que nunca vi”, diz baiano curitibano, como se apresenta este simpático rapaz que mora há alguns dias na Germano Mayer, entre a XV e a Fernando Amaro.

Em frente ao acampamento, expõe e vende alguns dos objetos que cata por aí.

– Vivo da ajuda das pessoas. Quanto mais gente souber que estou aqui, mais chance tenho de ganhar uns trocos, me diz o cara.

– Na verdade sou repentista, diz ele. ” Pode me dar uma palavra que passo o dia inteiro improvisando música e letra. É disso que também tiro um troco. Mas o problema é que o povo põe o olho em mim e não bota fé”.

– Como é seu nome? pergunto.

– Baiano curitibano, responde ele.

– Não, o seu nome?

– Baiano curitibano, responde ele sorrindo.

O Curitibaiano é um talentoso repentista, se você quer saber.

Nossa conversa termina num abraço. O Curitibaiano me diz que naquele dia fui o único a parar e conversar com ele. Por isso, o abraço para comemorar a conversa.

Termino a confraternização desejando boa sorte ao cara.

– Ela está melhorando… Até já tenho onde morar, diz ele, apontando para seu improvisado acampamento.