Foto: Reprodução EBC

 

Nada é para sempre. Em televisão também. Só o Jornal Nacional, o Fantástico e o Silvio Santos. Nem a Hebe Camargo resistiu.

Acho que já passou da hora de rever alguns formatos de programas de auditório, programas de esporte, de entrevistas e até de novelas. Mas enquanto a ideia estiver rendendo alguma coisa, vão repaginando, reformatando, maquiando e fica por isso mesmo.

Não assisto mais televisão. Perdi o interesse há anos. No máximo assisto telejornais em tv aberta, alguns até por obrigação, mas é mesmo tudo muito chato… me cansa. Perdeu há tempos a função de distrair, de entreter.

Não tenho a formula, não sei que caminho tudo isso deveria tomar. Só sei que mesmo quem é viciado em novelas, como foi minha mãe, por exemplo – quando era capaz de narrar para gente os capítulos seguintes. É fácil saber como se desenvolve a trama. É possível saber a linha de cada um dos autores. Dependendo da evolução da história, é possível até prever o tempo de duração de cada uma das novelas.
– Ihhh, essa não vai longe- dizia ela.

Gosto de futebol e por isso também assisto alguns programas da Tv fechada. Elegi o Redação Sportv, comandado por André Rizek- canal 39, como o melhor programa de esporte. Não é mais com ele, mas também já estava cansando. Ainda serve porque tem conteúdo, mas também cansou, mesmo com a mudança da ancoragem do programa.
Lembro que no começo dos anos 80, quando a Tv Iguaçu trazia uma receita que tinha funcionado em São Paulo, com Wagner Montes. Deram umas adaptadas e criaram aqui o “Paraná Aqui Agora”. Se arrastaram com aquilo durante alguns anos, como se Curitiba fosse extensão de São Paulo, que tinha o “São Paulo Aqui e Agora”. O que servia para os paulistas, acharam que servia aos curitibanos.

Como faz a Globo com o Globo Esporte, por exemplo, quando lançou Thiago Laifert para todas as praças. Se não tiver um apresentador com o mesmo perfil, mandam inventar, treina o candidato, ensaia alguém e põe no ar. Não dá certo. Para ter o estilo solto, precisa ser mais que um bom apresentador. Do contrário fica patético, como vemos em quase todos os programas de tv, imitando o padrão Globo.

E na própria Globo, seus imitadores das praças dificilmente colam. Aqui no Paraná temos pelo menos três exemplos de tentativas que a Globo fez e não vingou. Aliás, o Globo esporte, conhecido como GE, teve seu tempo com Gil Rocha e Paulo Rosa, uma dupla que fez o nome do GE local. O que veio depois foram tentativas, mas não vingou.

Parece brincadeira, mas às vezes tenho a impressão que falta gente de talento como nos velhos tempos, quando os apresentadores se viravam sem telepronter, sem roteiro, texto… tudo ia no improviso, inclusive nos comerciais, todos ao vivo.

Isso foi nos tempos de Mário Vendramel, Jamur Jr. Lais Man, Osni Bermudes, Renato Schaitza e muitos outros, para pegar apenas exemplos regionais.

Havia muito trabalho de bastidores e do simples faziam as coisas acontecer como no Show de Jornal, sucesso nos anos 60 e 70. Até eu que era criança gostava de jornal.
Tudo bem, tinha o romantismo da época. A televisão era novidade, mas talvez seja este romantismo que faz falta, mesmo sem ser mais novidade.

A tevê foi trocada por outras diversões, já ganhou muitas caras e nestas mudanças criam sempre a expectativa de que algo novo vai surgir, mas não surge, não acontece. A gente sempre fica na vontade de ver algo diferente, mas está tudo igual, sem novidade.

As novelas ganharam mais em novas criações, os telejornais cenários fantásticos e agilidade com notícias ao vivo, helicópteros, geringonças espetaculares guiadas por controle remoto, mas dentro do mesmo formato de sempre.

A televisão anda mesmo muito chata.

Enquanto isso, o irmão mais velho da Tv, o Rádio, continua vivo. Mesmo tendo passado por algumas crises existenciais, resiste melhor que a tevê.

O rádio achou seu espaço num novo ouvinte e faz parceira com as montadoras de automóveis, agora também sendo apreciado pelos motoristas, enquanto navegam por este trânsito entupido de outros carros, igualmente ouvindo rádio.
Sim, hoje, além da dona de casa que ainda ouve rádio, pelo menos uma vez por dia, de uns anos para cá, o motorista é um novo ouvinte festejado pelo rádio. Hoje este ouvinte, o motorista de carro e seu carona, alimentam um mercado cada vez mais promissor.
Os empresários de rádio não reclamam do excesso de carros nas grandes cidades.

 

 

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.