Falando da vida ou sobre ela, quem sabe a gente entenda melhor algumas coisas. A ideia deste espaço é tentar este raio x, entrando um pouco no mérito das coisas que muitas vezes passam desapercebidas pela vida da gente.

Como começar um ano, por exemplo, numa segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019.

7, 10, 29, o dia não importa muito ou quase nada. Importa o que a gente faz, os fatos que cercam a data e que se incorpora à rotina.

A segunda- feira 7/01/2019, marcou pela volta da metade da cidade ao trabalho, enchendo os ônibus, ruas, calçadas, restaurantes, elevadores. Com a peculiar impaciência, dando vida a uma selva quase morta desde 22/12/2018.

A outra metade da humanidade reaparece só no final de fevereiro desaquecendo os tamborins, p da vida, porque vai descobrir que a vida segue igual, como sempre foi, como nunca deixará de ser, pelo menos enquanto estivermos por aqui nesta ladainha desinteressada e tacanha, só esperando
a vida passar.

Se você faz parte do grupo que só volta em fevereiro, cuidado: você pode estar frio e ser atropelado. E sem ritmo pode virar presa fácil.

Sugiro exercícios diários em casa. Tem os que se aquecem brigando com filhos, com a mulher, chutando o cachorro. Tem aquecimento para todos os gostos e temperamentos.

Fazer isso pelo menos uma vez por semana, já dá para já considerar o cidadão apto para enfrentar a vida lá fora, quando abrem definitivamente a porta do hospício, depois do Carnaval e finalmente o ano começa de verdade é mais um Deus nos acuda.

Também tem como opção uma ligeira ida ao mercado que pode ajudar na irritação , ou encarando uma fila qualquer em banco ou numa repartição pública.

Opções não faltam. Se tiver coragem, se você é do time dos destemidos, pegue um ônibus, mesmo sem compromisso, vá a algum lugar, mas precisa ser em determinados horários. Pegar ônibus às 10 da manhã não vale, é passeio. Assim você se insere e será considerado apto para ser inserido ao
hospício.

A vida é mais fácil com menos agitação, menos correria, com menos gente concorrendo, disputando espaços, no trânsito, na calçada, nos ônibus, menos concorrência é de fato melhor.

As cidades estão cheias, não sobra mais espaço para andar nas calçadas, andar de ônibus sem se encostar nas pessoas suadas e mal cheirosas ou excessivamente perfumadas.

A impaciência chega junto com todos quando se encontram num mesmo espaço. As pessoas se olham como se o desconforto que sente, fosse culpa do outro. O mau humor se generaliza e tudo fica bem mais difícil.

E a vida segue… com ou sem você…mal ou bem humorado.

 

*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário.

Sempre com uma narração leve e didática, às vezes romanceada, conta histórias da vida, num cotidiano de todos, mas que também servem de espelho.

Coisas da vida, do nosso dia a dia, que encontramos numa interpretação semanal, vista com olhos de quem vê a vida por um viés que às vezes passa batido. Um bom momento para aqui no Blog, ver uma vida contada em textos.