Todos somos um pouco das pessoas com quem convivemos, além dos caminhos escolhidos.

Há 11 anos venho perdendo um pouco disso, a cada dia, nesta troca de construções entre seres que se aproximam. Cada dia sou menos do que gostaria de ser na convivência que tive com meu pai.

Mas ainda guardo tudo o que fomos e fizemos nestes 54 anos de vida partilhada.

Foto: Pexels.com

Impossível não cair no lugar comum, me tornando chato, falando das saudades que sinto dele, da falta que faz em tudo.

A morte já me deu várias dores: de pai, de irmão, de mãe, de tias, avós, primos, amigos e amigos do peito.

De cada um deles, tenho um pouco em mim.

Ultimamente a baixa tem sido grande. Tem muita gente me deixando na mão.

Mas já sei e aprendi na marra que todas as perdas são doídas, só são diferentes uma da outra. Como diz a música, quase como “uma metade arrancada de mim”.

Nunca mais fui o mesmo, porque levo um pouco de cada um deles. E a construção diária segue porque a troca das relações agora vai com quem ainda está por aí.

Sigo mutando, ainda tendo em mim um pouco de cada uma destas vivas convivências.

 



*Sergio Brandão é jornalista há 43 anos, com passagem pelas principais emissoras de tv, rodou o Brasil por conta da profissão. O jornalismo que ensina a olhar as coisas com olhos diferentes, para Brandão é um exercício diário. Sempre com uma narração leve e didática, às vezes romanceada, conta histórias da vida, num cotidiano de todos, mas que também servem de espelho. Coisas da vida, do nosso dia a dia, que encontramos numa interpretação semanal, vista com olhos de quem vê a vida por um viés que às vezes passa batido. Um bom momento para aqui no Blog, ver uma vida contada em textos.