(Imagem ilustrativa/Pixabay)

 

No Brasil a recomendação do Ministério da Saúde segundo diretrizes, é que o diagnóstico de TEA seja dado a partir dos 3 anos, objetivando a diminuição do falso positivo. No entanto, nós profissionais da área, sabemos que há inúmeros benefícios na intervenção precoce, há uma melhora dos sintomas de uma maneira geral, uma melhora significativa do quadro clínico em função do período de máxima plasticidade cerebral. Portanto, a recomendação é que a intervenção inicie assim que os sinais de alertas são notados antes mesmo de um diagnóstico formal.

Por exemplo, quando há sinais de alerta em crianças de um ano/um ano e meio, ainda que não tenha o diagnóstico formal de autismo é fundamental que inicie uma intervenção precoce.

Os sinais de alerta se caracterizam como um conjunto de comportamentos que desviam em qualidade e frequência daquilo que é esperado dentro de uma trajetória de um desenvolvimento típico. Sabemos que há um percurso no desenvolvimento infantil, quando existem atrasos nos aspectos que são esperados para a idade, consideramos sinais de alerta. O que não significa necessariamente o diagnóstico e sim que a criança tem risco para autismo.

Os sinais de alerta são detectados por meio de instrumentos padronizados para avaliação e pela observação clínica. Um instrumento de livre acesso, até mesmo para os pais responderem é o M-CHAT que se aplica para bebês de 18 meses até 24 meses (é inadequado a aplicação para crianças maiores). É importante frisar que, pontuar sinais de risco no M-CHAT não significa que a criança se enquadra no TEA , mas sim que deve ser encaminhada para uma avaliação diagnóstica mais aprofundada, por uma equipe profissional.

O TEA é uma condição heterogênea, complexa, com uma ampla manifestação de sinais e sintomas , é um diagnóstico essencialmente clínico que é fruto de uma avaliação multiprofissional (neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional…).

Por fim, quando os sinais de alerta são identificados, orienta-se a busca por uma avaliação completa do quadro, objetivando detectar de fato se a criança se enquadra no TEA, se há comorbidades ou se existem outras condições médicas. É fundamental que a família tenha um profissional (médico) de referência para fechar o diagnóstico e nortear as intervenções necessárias para a criança.

Autoras do Blog:

Ana Valéria Souza

Fonoaudióloga formada pela PUC-PR.
Fonoaudióloga Clínica desde 2000 atuando com intervenção nos distúrbios da comunicação. Fonoaudióloga Educacional desde 2008 desenvolvendo projetos de prevenção, triagens, formação de professores e orientação aos pais. Premiada pelo Sindicato das Escolas Particulares do Paraná pelo projeto “Crescendo e Aprendendo”(2015).
CRFa 7370-PR.

Yasmine Hernandes David João

Psicóloga formada pela Universidade Positivo.
Psicóloga clínica, trabalha com crianças e adolescentes. Atua com transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou adolescência.
CRP-08/24131.

*Especialização em Educação Especial Inclusiva com Ênfase em Autismo – cursando.